Marcadores

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Castanhos Olhos

Cor de âmbar, topázio acobreado, que sob a luz certa se torna o vermelho fogo púrpura do universo de dois luzeiros, janelas da alma pro mundo perceber em um único olhar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Corpo


Não é só um corpo.
É o corpo.
O corpo é a casca,
A casca que carrega a alma
A bonita alma do homem que eu amo.

E de seu corpo eu consigo enxergar e me encantar,
Por cada parte, cada pedacinho que o forma,
Que o faz meu, que resplandece.

O corpo dele exala calor,
De seus olhos eu vejo o fogo brotando âmbar.
É sua língua que explora os pedaços do meu corpo
Como quem conduz um barco em tempestade mansa.
O som da sua voz que me parece um imã,
Me leva e me traz sempre onde quero chegar.

Suas mãos conduzem minha pele até onde quer chegar
Adentra mais do que qualquer um poderia,
Toca minha alma, vibra com a aura,
Encontra cada ponto desenhado em mim, proclama reinado,
E ainda assim, me liberta, e ainda assim me cativa.

Sua respiração ao dormir é profunda, sossegada,
Ela muda, tão diferente de como estava a alguns minutos atrás
Antes de se exaurir e ser tomado por completa paz.

E então, após sentir o pulsar de todo seu ser,
Escuto as batidas de seu coração pondo ritmo ao meu peito,
Se alinhando, pertencendo: a máxima contemplação.

Não é só um corpo.
É o corpo.
O corpo é a casca,
A casca que carrega a alma,
A bonita alma do homem que eu amo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Suaves Horas



A madrugada é cheia de calma. É por isso que aprecio tanto estar imersa nela.
Durante essas horas dúbias, que não são nem de noite, nem de dia, só se escuta o que se precisa ouvir.
O indispensável está ao alcance dos ouvidos, as vezes, mesmo que distante dos olhos.
A brisa fresca me remete a momentos bonitos, bons, como uma serena viagem do tempo que me leva onde tudo começou, a uma madrugada feita de salsa e dança, luzes e mescal; ou até mesmo a um primeiro beijo sob a escuridão total de um cenote.
A madrugada tem esse poder, de reviver os momentos mais estimados, que por vezes são os mais simples, como ouvir trova pela primeira vez em um ônibus lotado, de pé dividindo fones de ouvido com ele, enquanto ele te apresenta Fernando Delgadillo e você o mostra Lana Del Rey.
Não sei, mas a madrugada me faz sorrir ao lembrar do quanto ele estava empolgado me falando da França e da primeira vez que viu a neve, e eu, ah, eu estranhamente senti falta do Sertão que ainda não visitei por completo, não desbravei, não como quis. Porque é aí que eu percebo o meu querer se invertendo.
Eu, estranhamente na solidão de uma madrugada, as quatro da manhã vejo que minha jornada não é mais tão solitária, obviamente solidão nunca me incomodou, mas, de repente, eu percebi que em meu caminho cabe mais um, que quero compartilhar olhares, sabores, lugares, desejos, eu quero, eu deseja isso!
Vontade. Vontades inéditas, de ter um pequeno apartamento decorado com livros e fotos de todo o mundo, um mundo eu em alguns metros quadrados que quero dividir com alguém, eu consigo vê-lo andando com pouca roupa, resmungando pela hora que acordou (muito cedo) e a hora que foi dormir (muito tarde), por minha culpa, sempre, e ele está ali com os olhos semicerrados me puxando pra mais perto "só mais cinco muitos amor, o tempo pode esperar" e ele pode sim.
Tudo pode esperar para ver o sol pintar de dourado seu corpo desnudo, o mundo certamente não se importaria que a gente roubasse alguns bons minutos para se sentir, algumas horas para fazer amor e algumas vidas para fazer disso não uma rotina, mas sim uma comunhão, uma troca equivalente, uma constante felicidade chamada amor. Com vontade, com cuidado: amor.
Tudo isso cabe em uma madrugada bonita, solitária, e dela, em algum momento, meu corpo se dá por satisfeito e busca asilo no mundo dos sonhos, naqueles em que minha alma visita o lugar de onde está em todo momento: ao seu lado, as suaves horas de minha vida.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Teu coração bonito, oh coração vadio, serenou na rua, fez do mundo, o teu lar.

sábado, 12 de dezembro de 2015

A espera

Passaram-se eras, primaveras, quimeras, e ai, quem dera, que você estivesse aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Saudade

Quero falar em saudade,
Mas a saudade que sinto, ah, você não conhece não,
Minha saudade tão é sofrida, não é doída,
Ela é um canto no meu dia feito de sorrisos e recordações suaves,
Ela é a brisa que toca meu rosto no meio do fervor do verão,

Sobre a saudade que sinto,
Essa saudade que mora em mim e que quase ninguém entende,
Minha saudade é feita de todos os lugares que eu fui feliz sozinha,
Mas quis muito estar lá acompanhada,
Ela é a estima que tenho por meus amigos, a devoção que tenho pela Deusa,
Ela é a parte do infinito de minha alma que eu ainda não encontrei,
É o sorriso do moço bonito que a 7 mil quilômetros eu deixei,
Ela é a alegria de ter olhos para ver tudo que vi, e querer compartilhar,

Essa saudade que é só minha, oh,
Ela não me faz chorar, ela me dá uma plenitude em meu ser,
Sabe porque?
Porque é a partir dela que percebo, quantas coisas bonitas já vivi,
E que em tantos caminhos tortos, encontrei alguém que quis,
Que quero que trilhe toda essa jornada de novo e de novo comigo,
E é nessa saudade que vejo meu bem, é nela que descubro que:
A felicidade só é verdadeira quando é compartilhada.
É a minha saudade que me faz querer te ter aqui e dividir tudo comigo.
Mas ela não me divide! Ela me une em mim, no que já caminhei,
E no que eu ainda quero viver comigo, e dividir com você.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Brincando de saber quem sou é que vou aprendendo.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A folha e a pena

As vezes como folha, eu só caiu e deixo o tempo e o vento
A par de me carregar para onde for,
Onde o norte for mais distante e o horizonte mais sereno,
Vou planando. Sou leve, sou leveza, sou levada.

As vezes como pena, plena, me junto aos meus
Para levantar voo, as vezes suave seguindo a direção do vento,
As vezes obstinada enfrentando, indo contra, pertinente para chegar
Onde eu quero, onde eu preciso ir, para descobrir
Qual a cor do por-do-sol daquela praia distante, ou o quão próximo
Posso chegar daquela cachoeira sem me machucar,

Não importa, se eu quero, eu vou lá, sou parte de um pássaro livre
E nascemos para voar.
Sou leve, sou leveza, sou levada,
Mas o caminho que eu for, leve ou não, quem me leva sou eu,
Porque eu não sou só a pena, eu não sou só a folha, eu também sou
O vento que me guia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Caminhos



Dos caminhos, 
Ah, dos caminhos eu sei
De cada passo que já dei
De cada estrada porque passei
Dos rios e mares que atravessei.

Eu conheço o abraço
Das mãos e pés que ao meu lado estiveram
De quando tive que deixá-las ir
Para seguir o meu rumo, precisava seguir meu caminho
Mas na verdade eu ainda não sei

Se há curvas sinuosas, uma linha reta, desertos ou montanhas, eu não sei
Sei que vou trilhar o incerto, e talvez te encontrar
Talvez, só talvez, eu te encontre por lá

Mas com certeza eu vou me encontrar bem melhor
do que te deixei.
E nesse dia então, comigo, vás querer caminhar?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Amor é filme

É que parte de mim está se constituindo apenas, uma parte em cada parte.
Porque eu sou Celine quando pego um avião sem planos totalmente traçados, quando vou viver em outro país, e por destino, sorte, ou poesia estou no lugar certo, no dia certo, na bendita hora que encontro Jesse, não num trem tentando me convencer a passar a noite com ele, mas em um bar com música latina, me envolvendo e me fazendo querer que descobrir como é conhecer o mundo a seu lado, antes do amanhecer, antes do por-do-sol, e querer absolutamente tudo outra vez antes da meia noite.