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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A Flor Corrompida



Quem maculou a inocência?
Quem? Quem foi capaz de ver tão bela rosa,
cálida, alva e serena, e por mero capricho,
Decidiu tingi-la de vermelho?
Não o vermelho da paixão, mas o primeiro vermelho,
O que é conhecido há tantas gerações, o do sangue,
que corrompe, o vermelho que separa o sono da criança,
e o pesadelo do soldado em guerra, quem foi capaz?
Me diz! Levanta a mão e diz 'fui eu!', tens coragem!
Como teve no dia que com um belo sorriso me apunhalou,
Pelas costas, cravastes fundo tua adaga enquanto me abraçava,
E saiu como quem nada fez, e agora voltas e pede perdão,
Se bens pode ver, aquela rosa branca morreu, e o que ficou
Ah, mas o que ficou... Não é mais teu.


— Izis Vieira

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz porra, vou ficar até meia noite rodeada de amor



Pode parecer bobagem pra você, mas eu acredito no espírito do natal, no quanto é importante esse raro momento de comemorar com os seus, celebrar com sua família o amor, passar o dia todo cozinhando e arrumando a casa para receber a família, todo esse cuidado, estarmos todos prontos para rir e brincar à meia noite, dar alguns presentes também, mas, mais do que isso, eu acredito no cara que morreu na cruz a tanto tempo atrás, mesmo não concordando com as religiões, ele foi incrivelmente importante, porque ele veio pra cá e disse 'o amor é importante cara, vá amar seu irmão', e o que é o natal se não uma celebração de amor? Foda-se o capitalismo e o papai noel da Coca-Cola, eu me sinto muito feliz e privilegiada de estar com as pessoas que mais amo no mundo e que mais me amam e abraçá-los meia noite, pouco importa se daqui a dois dias estaremos brigando, a gente se ama, tem um laço mais forte e incompreensível do que tudo que nos une e ele é o amor. E sinceramente, que esse sentimento perpasse por mim, por minha família e por todo mundo todos os dias, todos os anos, enquanto a eternidade se perpetuar, e que todos, absolutamente todos possam sentir isso também, que tenhamos abundancia e sabedoria para compartilhar e uma sociedade em que se dê gosto de viver e vencer. 
Viver um pouco daquilo que aquele cara esperto que morreu por nós dizia, que isso nos mova. 

domingo, 23 de dezembro de 2012

O TOMBO QUE EMPURRA (conto de alguém que não tem muito a dizer, parte 2)



Bianca V, Julho de 2009

Essa história começa a alguns anos atrás, a algumas viagens atrás para ser mais específica, sempre gostei de expressar o que eu sentia, mas, para ser exata eu não me sentia exatamente bem, mas, um banho de chuva e uma viagem sempre salvam a vida da gente, nos renova, não é verdade?
Os fatos são aleatórios e os sentimentos também, nesse tempo, eu julgava ser meu amigo quem roubou um pouco do que eu achava que era meu. Engraçado isso, essa roda, as voltas que a vida dá, mas comecemos quando ela deu o primeiro giro nesse enredo atemporal de lembranças, fantasias, imagens e impressões.
Tudo começou com o tropeço que empurra, uma queda abrupta, um término agoniante, a vida é um pouco disso mesmo, é um pouco do que a gente quer que seja, e não quer de jeito nenhum;  estamos falando de um rompimento, sabe como é, sempre te um lado que se fode mais do que o outro, mas não quer dizer tchau, tolos são nossos corações até que aprendemos o valor da perda, ou da diversão ilimitada que podemos ter, tudo é questão de ótica.
Mas, vamos lá, a gente acabou, fins de relacionamentos, garotos choram como bebês e bebem o suficiente para ficar com a primeira idiota que aparecer e quiser dar pra ele, garotas procuram consolo em ombros amigos, que muitas vezes tem terceiras e quartas intensões, e esse foi  exatamente o caso; não demorou muito para ela me trocar por uma vadia, é o que geralmente acontece quando o amor acaba, e eu tive que com isso, enquanto elas fodiam. Ela deveria foder melhor que eu – como dizem, experiência é tudo, e, ela quantidade de pessoas que eu conheço que ela já fodeu, ela deve no mínimo fazer gostoso – não que eu faça mal, mas estou certamente em desvantagem, transei apenas com duas pessoas (uma de cada vez!) a vida inteira, não como uma prostituta profissional, ou alguém que já transou com a maioria dos meus amigos, mas, como uma mulher apaixonada que faz amor entregando o corpo e um pouquinho da alma.
De qualquer forma, a coisa toda incomodou durante um certo tempo, mas logo parou de fazer sentido, já estava maculado. A gente costuma atribuir ao primeiro amor uma pureza quase santa ao primeiro amor, porém não deveríamos fazê-lo, ele não é eterno (com raríssimas exceções, é claro), por mais que pareça, ele só te prepara para todos os outros que ainda estão por vir, e deixa boas cicatrizes no processo. 
Para falar a verdade, não ando com muito tempo para devagar, sobre o amor, a estrada está sendo devorada pelos pneus que cantam madrugada a fora, estou indo à Brasília com uma pequena câmera em minhas mãos e a pouca bagagem que minha mochila pode carregar, e tantos lugares (pessoas) para conhecer. Possibilidades. Adoro essa palavra.
Peguei a estrada e deixei uma vida inteira para trás (depois eu conto a história, ou não, sofrida e longa demais) e agora, quero me sentir viva na capital do meu país, e fazer lá algumas histórias que não serão contadas aos meus filhos, ou netos; quem sabe fazer amor com uns três desconhecidos, dizem que é om para treinar, não? Bianca quer viver, e é o que Bianca fará.
Céus, o dia já amanhece enquanto escrevo! Preciso dormir, aproveitar que (ainda) todos estão em silêncio, descansar é preciso, logo terei a sensação que mais adoro: ser uma desconhecida em um lugar totalmente novo.  Às vezes vale a pena pegar um ônibus, enfrentar horas e horas de viagem, deixar tudo para trás, valerá a pena? Não sei, mas tenho certeza que vou descobrir.




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

INÍCIO (conto de alguém que não tem muito a dizer, parte 1)


Tenho algumas coisas para falar, não são as mais sábias ou mais inteligentes do mundo, mas são as coisas que eu quero expor aqui. A história de uma garota que não tinha muito com o que se preocupar, ou porque sonhar, mas, pegou sua câmera e saiu fotografando o mundo, a vida, suas impressões, e no fundo era exatamente isso que eu planejei para a minha vida: uma vida na estrada sem muitas preocupações, uma câmera e algumas histórias para contar, posso aumentar algumas coisas, mas no fundo, juro que é tudo verdade, e a minha verdade eu mostrarei através da lente da minha câmera  Você quer ver minha verdade? Ou acharia melhor lê-la? 

(Não é sobre mim, mas poderia ser, ou será que é?) 

sábado, 15 de dezembro de 2012

O meu canto é só tristeza



No passado, não tão distante eu era um ótimo cantor,
Não quero me vangloriar, estou falando a verdade,
Eu cantava alto, imponente, forte e sobre tudo com alegria,
De tão bem que eu cantei, me prenderam nesse lugar,
Ai de mim! Vida melancólica, canto agoniado!
Entristecido.

Nessas grades não tenho como me expressar,
Ando de um canto a outro, sem pressa, não há muito o que fazer,
Esperam que eu cante, quem um dia iria dizer,
Que minha maior virtude, viraria um dia minha sentença, 
Minha prisão.

Feliz deve ser o pardal, que vive pelo mundo, sem ninguém se importar,
Rouba alpiste, faz seu ninho nos telhados, de longe o vejo a me zombar,
Quem mandou saber cantar?
Dizia ele zombando, mas, sei que ele fazia isso para não mostrar,
Era pena que ele tinha de mim, mas sou orgulhoso demais para aceitar.

Essa sela é triste, mal posso ver o sol, quase não sopra vento,
Não há felicidade nesta prisão, mas ainda cantava feliz ao lembrar,
De minhas plateias, do mundo mundo que era tão meu, do eco da minha voz,
da água fresca na foz, do riso da criança ao admirar, do arco-íris no leste à se formar.

Um dia meu carrasco, um homem sem coração, furou-me os olhos, 
Veja quanta ingratidão!
Desde então não vejo a luz, não vejo o sol, sou prisioneiro da escuridão,
Ele diz que meu canto agora é mais sereno, é mais bonito,
Mas, que raio de beleza existe no sofrimento então?

Esqueci de onde vi, mas ainda posso imaginar,
No breu em que me puseram me ponho a sonhar,
Com as flores e as luzes do dia que me inspiravam a cantar,
Hoje, apenas uma lembrança no meu velho assoviar,

Meu nome é Assum Preto, e minha sina é "melodir",  
Meu canto é a tristeza e a alegria do perverso que se pois a sorrir,
Oh, entenda minha tristeza, o porque não sei sorrir,
Mas outra vida virá onde ninguém vai me prender,

E nesse dia apenas a liberdade eu ei de cantar. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vontade


Eu quero marcar teu corpo com minha boca,
Enquanto te beijo quente, sentindo o aroma de tua pele,
Te mordendo lento, rasgando-te a pele com delicadeza;
Fazendo-te minha, cada poro,
Cada centímetro de tua pele é minha;
Me pertence e a ela sou fiel;
Até que o amor acabe, mas, até onde eu sei;
Ele não morre no final.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Noite - parte II




Quase levantei de susto quando abri os olhos e a vi debruçada em minha barriga, uma mão apoiada na minha coxa, a outra enrolava uma nota de algum valor que eu não conseguia enxergar e se abaixava para cheirar o pó que havia derrubado em mim, mas antes, levantou minha blusa até a altura dos seios e ajeitou cuidadosamente uma carreirinha que ia da altura de meu sutiã até a barra do meu short.
Em pouco tempo começou a cheirar tudo que podia e quando não aguentou mais começou a lamber o pó, eu estava quieta observando ela entrar em frenesi e procurar meu corpo com a urgência de quem tem fome, ela me puxou para baixo e me tomou pelo braço, entramos no carro, fomos para o banco de trás e mal sentei quando ela começou a me beijar ainda com a boca suja de pó, logo senti o gosto amargo da cocaína e a dormência em minha língua que não parava de mover-se, bailando junto da dela que aos poucos tirava minha roupa,  logo ela pula para o lado e joga o pouco de pó que sobrou entre seus seios e me entrega a nota dizendo:
– Guardei um pouco para você, fica chapada comigo!
Sem relutância obedeci e logo senti toda aquela euforia e formigamento tomar conta de meu corpo, e sem demora também procurei o dela, aquilo passaria mais rápido do que eu poderia aproveitar, sabíamos disso. Explorei cada centímetro de seu corpo arrepiado como se fosse meu ultimo segundo na terra, aquela sensação de tato que compartilhávamos era inebriante, muito além de qualquer outro, sentia sua pele literalmente como se fosse a minha, com as duas mãos ela me afundou entre suas pernas, exigia prazer, nossos corações pulsavam em uma violência e velocidade absolutamente intensa enquanto eu me livrava de sua calcinha e sentia seu gosto com a ponta de minha língua até que toda minha boca é envolvida por todo aquele gosto e aroma doce, delicado, num ritmo lento o suficiente para sentir cada suspiro seu, rápido o bastante para fazê-la gritar de desejo enquanto afundo minhas unhas em suas coxas, e ela afunda minha cabeça entre suas coxas, em pouco tempo meus dedos e minha boca tomavam conta de sua região íntima e satisfiz, seu corpo latejava por inteiro, assim como o meu, descansei sobre seu corpo, o carro era apertado, mas cabia nossos corpos encaixados, sentíamos o frio da madrugada entrar pelas janelas.
O céu estava roxo e todas aquelas estrelas pareciam nos engolir enquanto nossas respirações começavam a se acalmar, eu a mantinha entre meus braços enquanto ela tentava ascender um baseado amaçado que encontrara no chão. Um gole de vodka, uma tragada, o calor de seu corpo e o frio gélido do vento, vento esse que canta, quase geme em reclamação, estrelas cintilantes, calidoscópios nas pupilas, nada poderia atrapalhar aquele momento perfeito. Adormeci.


O vento batendo na cara, com violência, bato a cabeça na lateral do carro, acordo no banco do carona ouvindo ela gritar:
– Coloca o sinto e se segura! – diz ela acelerando cada vez mais, só ali me dou conta que o carro está em movimento e a mais de 100 por hora.
– O que porra é isso? – pergunto eu colocando o cinto com certa dificuldade, o carro não parava de balançar, estrada de barro cheia de curvas – como chegamos aqui?
– É uma longa história, mas por, hora vou tentar nos manter vivas, não faça perguntas!
Apertei o sinto, e em seguida, sua mão com força e disse entre um sorriso:
– Tudo bem, vamos para a estrada!
Estávamos sendo perseguidas por um carro que quase nos alcançava, não fosse a ousadia da minha pilota, sentia medo e mais medo em cada curva, mas eu não me importava.
Vida rápido, esse é o recado, não?

CONTINUA.

~ We were two kids, just tryin' to get out, live on the dark side of the american dream.  Withou You, Lana Del Rey

Link da parte um: http://i-in-rouge.blogspot.com.br/2012/10/noite-parte-i.html

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Amizade apaixonada


Ando me apaixonando todo dia,
como sempre,
mas, dessa vez é diferente:
é pela mesma pessoa. 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

(Re)aprendendo a sonhar



Já acreditei que contos de fadas virariam realidade;
Que dificuldades poderiam ser superadas quando os sentimentos eram sinceros;
De verdade, acreditei que poderíamos dar nosso melhor quando apaixonados;
E que o amor era a força que regia todas as coisas;
Honestamente, eu acreditava no "para sempre" e em todas suas implicações;
Eu acreditava com a ingenuidade de uma criança que o impossível era questão de ponto de vista;
Mas hoje, ah, hoje! O quanto as coisas mudaram dentro de mim!
Antes eu tinha uma alma de moça adolescente no auge de seus 15 anos de sonhos e fantasias;
Procurando motivos para acreditar que a vida seria um musical dos anos 30;
Tão imersa em mundos criados dentro de mundos que mal enxergava o real;
Afinal, quando se sonha demais a gente acaba deturpando a realidade um pouco, o que não é ruim;
O mundo que eu via e vivia era bem mais bonito que esse aqui, não havia necessidade de por os pés no chão;
Eu não tinha medo algum de voar, e voava longe, alto, por campos, florestas, praias e todas aquelas cenas de cinema, com fundo musical e close nos olhos, beijos apaixonados no final de brigas épicas e finais felizes ao fim do espetáculo;
Era bonito, eu sei que era!
Mas, hoje não é mais assim, hoje me vejo com a alegria de quem quer se permitir viver;
Mas sabe ter o pé atrás, no chão, que sente devagarinho, freando aos poucos as sensações;
Com a vasta experiência de uma alma de anciã, experiências e sabedoria para algumas vidas à frente;
Me apaixono lentamente, porém não é algo ruim, aproveito mais;
Outrora, vivia tudo numa velocidade tão insana que mal me dava conta de quantos passos dava,
Se estava longe ou perto do penhasco, ah, eu já estava em plena queda!
Hoje namoro o abismo a distância, admiro a paisagem, sinto o vento forte bater no meu rosto, absorvo cada gotícula de água como se fosse única, cada uma é única;
Não estou querendo dizer nestas linhas que desaprendi a sonhar, não, muito pelo contrário! 
Hoje sei até onde posso ir, tenho sonhos lúdicos e consigo dominá-los, mas, o fascínio dos sentimentos ainda me deixam andar na corda bamba, porém não tenho mais dentro de mim aquele medo surreal da queda, ou certeza de que posso boar;
E redescobri tudo o que perdera, bobagem menina! Sempre esteve dentro de ti, sempre guardado em mim;
Hoje não acredito mais em "para sempre", hoje acredito no "que seja bom", e quer saber?
Nunca estive melhor. 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Inesperado - parte II (final)



Continuamos naquela dança de beijos e carícias, o mundo girava apressado enquanto eu tocava seu corpo, sussurrava qualquer bobagem e voltava a tocá-la, apertando com gana aqueles quadris a centímetros de despir a pouca roupa que lhe restava, não sabia que horas eram, mas, não havia passado tanto tempo assim. Ela também se apoderava de meu corpo, como um poceiro que acabara de encontrar o seu lugar, porém ainda com zelo, não tendo certeza se lá poderia ficar, quando finalmente ficamos ser ar paramos com todos aqueles beijos, e ficamos respirando lentamente entre risos e cochichos, ela tocou meus lábios com sutileza, logo em seguida passou a mão por meus lábios, tocando-o com cada um de seus belos dedos, repousando sua mão em meio seio, sorria satisfeita naquele breu onde seus olhos pareciam um azul marinho turvo, mas totalmente convidativo para um mergulho, ela beijou meu colo e falou, bem baixinho de forma que eu quase não entendi:
— Preciso de um banho! Não consigo dormir sem tomar um! — disse enquanto contornava meu seio esquerdo com uma das mãos.
— Hum...? Ah, Tudo bem! Eu também tomaria um, mas estou sem nenhuma muda de roupa, mas, pode ir, vou te esperar aqui, garanto não fugir! — disse eu vendo-a vestir sua blusa e distanciar-se a passos curtos e contidos, a vi entrar no quarto onde repousava a moça que dividia apartamento com ela - dormia a sono solto, provavelmente nem notara que eu estava lá. — A vi sair do quarto e entrar no banheiro, barulho de água abundante do chuveiro, cheiro de pêssego e algum aroma doce que eu não conseguia identificar.
Enquanto ela tomava seu banho noturno eu sentia o peso do álcool em meu cérebro e tudo em volta girava, aquela sala parecia maior, fiquei deitada sentindo toda aquela rotação, na qual minha cabeça girava em torno da lua, ou do sol, quiça em volta da lâmpada que estava apagada, ou daquela luz vermelha do stand-bye do televisor, não sei quanto tempo ela demorou, quinze ou vinte minutos, sei que não tentei pensar em nada até então, a certos momentos em que pensar é totalmente desnecessário.
Logo ela voltou, com aquela mistura de aromas que prendeu minha cabeça no eixo de seu corpo, voltou com uma blusa de tamanho maior que seu manequim, alguma daquelas blusas de jogos escolares, — ela, como eu, era goleira de hanbal no ensino médio — estava com aquela blusa e uma calcinha fininha que eu não conseguia identificar a cor, logo ela deitou perto de mim e me procurou, começamos mais uma maratona de beijos, sempre interrompidos por comentários como "é estranho!" e risos, seguidos de mais beijos e mais comentários, "é estranho!"; realmente era estranho, o álcool começava a sair e a consciência a voltar, e ela era minha amiga, e eu estava na sala da casa dela beijando-a com ardor e com timidez no fim das contas. Porém, isso não foi o suficiente para pararmos.
Ela se livrou da blusa, alegando que não se sentia a vontade dormindo com roupas, sentou-se e tirou-a na minha frente e fitei seus seios tão lindos e brancos, não tive escolha se não senti-los em meus lábios, com minhas mãos, enquanto sentia suas unhas cravando minhas costas e arrancando minha blusa, senti os lábios dela em meus seios e tive que conter qualquer reação, afinal não estávamos sozinhas no recinto, embora minha vontade fosse de ir bem mais além. Esse jogo durou horas, não sei quantas, mas foram curtas longas horas de beijos, provocações, de mãos, pernas, arranhões, chupões, puxões e mais beijos e mais constrangimento, de que certa forma fora um tanto quanto gostoso. Um momento de sedução e delicadeza que poucos casais se permitem ter, numa situação parecida.
Frequentemente me pegava explorando seu corpo, desenhando lentamente meus dedos em suas tatuagens e mordiscando o corpo dela, ela me puxava o cabelo e mordia minha orelha, então parávamos e começávamos a rir, nos aninhávamos uma nos braços da outras e fazíamos carinhos, beijinhos, e íamos avançando até o ponto onde gostaríamos de chegar, mas não chegaríamos, não naquela noite.
Noite essa que logo virou dia, sem sono, com risadas e vontades nos despedíamos de toda a euforia do bar, da lascividade da chegada, os ânimos eram acalmados lentamente, mas aquela noite, suas surpresas e sensações ficariam gravadas para sempre em nossas mentes, junto de toda aquela cumplicidade e o sorriso solto que nos acompanhou até de manhã, e foi assim, cercadas de sentimentos novos e constantes que dormimos abraçadas e semi-nuas na sala de sua casa num colchão em baixo de um edredom aconchegante.
Amanheceu domingo e eu estava enrolada na coberta começando a despertar, ouvi ao longe cochichos de minha amiga e da garota que dividia apartamento com ela:
"Ela é sua namorada? Uau! - Dizia a amiga dela entre risos, mexendo em alguma coisa que do meu ângulo de visão eu não conseguia enxergar.
"Não, ela é minha... Amiga, dormiu hoje aqui comigo..." — Dizia minha amiga tentando cortar o assunto, ela já havia me dito que não gostava de falar da vida dela com aquela moça.
"Vocês estavam dormindo abraçadinhas! EU vi! — Ela insistia em arrancar alguma informação, eu só pensava "ou droga, ela viu!"
"Você não viu nada, tchau! - Nesse momento fechei meus olhos, minha amiga acompanhava a outra garota até a porta, a garota saiu e ela voltou para mim.
— Ela queria saber da gente... Achei melhor não falar, disse ela me beijando o pescoço.
— Tudo bem, afinal, somos amigas, não tem porque falar isso a ninguém, muito menos a ela que costuma dizer qualquer coisa a todo mundo... — disse eu beijando-a e envolvendo-a em meus braços outra vez.
Começamos tudo de novo, mas dessa vez, sozinhas em casa as coisas começavam a ficar mais quentes e os desejos da noite passava voltavam com mais força, nossas mãos já desenhavam exatamente o caminho que queriam trilhar, os beijos ficavam mais molhados, a respiração cada vez mais pesada, nossas pernas tão bem encaixadas e minha boca devorando seu seio com força, deslizando a língua sob a barra de sua calcinha, até que... Até que minha mãe ligou.
— Puta merda! São são onze da manhã! — Disse eu pulando do colchão e atendendo o telefone, eu teria que ir embora, embora quisesse ficar, tinha medo que as coisas voltassem ao seu normal quando eu saísse por aquela porta, ao mesmo tempo tinha medo que elas continuassem como estavam, pois no dia seguinte as coisas começavam a pesar mais e eu tinha medo de estragar tudo — afinal de contas, eu fazia isso como ninguém!
Depois de um dos beijos mais demorados que já dera me despedi dela e sai sem saber ao certo o que tinha sido aquilo, ou como as coisas ficariam depois disso, eu simplesmente não fazia ideia!
Só sei que saí com um sorriso que eu não dava a meses e que seus olhos verdes brilhavam para mim como duas esmeraldas, tudo que aconteceu naquele dia poderia ter ido bem mais além, mas acho que chegamos até onde deveríamos chegar, eu já entendera que o paraíso não estava tão distante de mim, como sempre achei, e que de certa forma aquela noite nos marcaria para sempre.
E quer saber de uma coisa? Não via a hora de que acontecesse algo parecido de novo, e que essa vez não seria a ultima. 


domingo, 11 de novembro de 2012

Inesperado - parte I



Nossa, como eu queria vê-la! Minha amiga tão querida que eu não via a muito, por minha culpa, é claro, eu tenho aquela velha mania de sumir e reaparecer quando bem entendo, ela mesmo brincava, dizendo que eu era sua fantasma por excelência, eu, bem, por mais que eu me afastasse, nunca fiquei longe o suficiente para não saber voltar, afinal, eu sempre achava o caminho de volta. 
Eu tinha chegado primeiro no lugar, ambiente conhecido, era o único bar da cidade que tocava música descente, que tinha uma decoração retrô e luzes verdes em meio aos leds coloridos, vários painéis com artistas do década de 40, me fazia sentir em casa, entrar em conexão com uma época glamourosa que não vivi, tudo isso ao som de Lady Gaga.
Peguei uma cerveja e me sentei no balcão, não demorou muito para encontrar alguns conhecidos, tudo é muito fácil e divertido quando o copo está cheio, logo eu estava sorrindo de alguma besteira dita por um dos meninos, e me esqueci completamente do porque tinha ido para aquele lugar; até que uma mão tocou meu ombro e me fez virar. Meu Deus, o que foi aquilo?
Lembro como se fosse ontem, a música tinha mudado, estava tocando "Ainda Bem" de Marisa Monte, e meus olhos captaram tão bem aquela cena, quanto meus ouvidos a melodia, era... Nossa! Era linda! E como ela estava linda!
Era ela sim! Tão linda como eu nunca tinha visto, ela sempre foi linda, seus olhos verdes sempre foram algo desconcertante, mas naquele dia ela estava especialmente sensual, aquele lápis contornava o mar de sua íris de tal forma que o universo inteiro parou por alguns segundos só para que eu pudesse memorizar aquele momento, aquela deusa com sua saia preta de cintura alta e blusa branca, seu salto agulha, cabelo negro e esvoaçante, e o sorriso mais lindo que eu já tinha visto até então. Uau! Peraí, uau? Ela é minha amiga, por Deus, para! Mas eu não parei, esse foi o primeiro dia que eu a desejei como mulher.
Logo saí de transe e a abracei, entrei em outro; seu corpo exalava um perfume tão doce, sua pele tão macia e branca, eu não queria soltá-la, mas logo o fiz.
Foi uma noite divertidíssima, conversamos, dançamos - ela dançou, já eu, bem, não é fácil manter alguma sincronia quando se tem dois pés esquerdos - o tempo passando e eu ficando cada vez mais encantada com seu sorriso, e as brincadeiras e provocações começaram, - a gente sempre se provocava muito, mas nunca tinha levado a sério — risadas, toques de mão, cintura, coxas, quase beijos, olhares tentadores... Ela sempre foi mestre em provocar, eu era sempre tão desligada, mas nesse dia eu sabia muito bem o que queria: ela.
Minha timidez barata não me deixou fazer muita coisa lá dentro, mas o copo já estava vazio e a coragem tomando conta de mim, a hora avançando e eu não estava sóbria o suficiente para ir para minha casa, a solução? Dormir no apartamento dela.
Pegamos carona com algumas amigas dela, saí do carro cambaleando um pouco, demos boa noite para o porteiro e logo adentramos no prédio, ela trancou a porta e eu não esperei nenhum minuto, a beijei ali mesmo, na porta daquele corredor vazio, a beijei com toda a vontade e desejo que fora desperto naquela noite, rolamos pelas paredes, tropeçando em nossos próprios pés, nesse momento eu esqueci completamente que quem estava ali era a minha linda amiga de tantos anos, eu a queria e era isso que importava naquele momento.
Ela não havia bebido, então abriu a porta de seu apartamento sem maiores dificuldades, continuamos nos beijando e nos livrando das roupas com pressa, passaríamos a noite na sala mesmo, num colchão que já estava por lá, algo me disse que a noite seria longa, longa e feliz, e eu não estava enganada.



 O que você não sabe é que quando tenho meus piores pesadelos é que começo a viver meus sonhos mais incríveis. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tendo o horizonte como foco



As vezes podemos nos perder, mas em um desses caminhos, a gente ainda se acha.

domingo, 4 de novembro de 2012

De certo modo, foi assim


Não leve a mal o meu sentir,
É que doeu e foi muito além, não foi apenas como perder o grande amor da minha vida (que já é uma perda lastimável),
Foi pior; foi como perder minha melhor amiga;
Era assim que as coisas eram dentro de mim:
Eu encontrava em uma única pessoa minha mulher, minha amante, minha melhor amiga, minha irmã, minha mãe, minha filha;
E eu perdi tudo;
Tudo de uma única vez;
E a única coisa que eu quero é encontrar uma dessas muitas que é você;
Não sei lidar com a perda,
E espero estar errada em alguns conceitos,
Espero nunca saber em verdade o que é perder;
De alguma forma encontrar uma dessas dentre as tantas que perdi.

sábado, 3 de novembro de 2012

Como se fosse ontem



Ela desce as escadas – meu coração dispara num impulso de coragem, aquele momento em que puro e simplesmente ele sussurra: este é o momento – ascendo as luzes ainda em cima das escadas – a olho mais uma vez e contemplo sua beleza, aquele cabelo negro voando contra o o vento, aquela lua incrivelmente dourada e brilhante que começava a se esconder sob nuvens escuras, a hora estava chegando – ela me espera no portão e eu desço, ficando logo em sua frente mirando seus olhos verdes límpidos enquanto ela me falava qualquer bobagem, minha mão estava sob o interruptor, apagam-se as luzes e nem a lua consegue iluminar, um beijo roubado, um beijo correspondido - meu coração saltava o peito enquanto meus lábios tocavam os dela, não era o primeiro beijo, mas, era como se fosse, aqueles lábios tão doces, tão macios, aquela boca que me fez sucumbir por instantes, momentos, minutos, não sei, não sei dizer ao certo quanto tempo nossas línguas se entrelaçaram, sei, que foi tempo suficiente para eu querer mais, – ascendo as luzes e vejo a confusão nos olhos dela, ela realmente não esperava por aquilo! Mas,  no meio de tudo isso, ela sorriu, não haviam dúvidas que ela também queria, seu coração batia exatamente como o meu, só então consegui libertá-la de meus braços e abrir as portas para acompanhá-la até parte do caminho para acasa, e eu tinha, mesmo que sem ela saber, encontrado o caminho de volta para meu coração, e nem a lua foi testemunha, ah, mas ela foi!

Sobre o que todos deveriam saber e eu aprendi cedo demais



Acredito que conhecer o amor tão jovem me fez sofrer um bocado, mais do que se deve sofrer nessa idade, oras, são sentimentos tão extremos e a gente tem que lidar com eles, estando ou não estando prontos para isso.
Nos vemos presos numa montanha russa interminável, onde sempre temos a sensação de explodir de alegria ou sentir a mais forte dor e desilusão que um coração tão jovem não deveria ter que vivenciar, saber do 8 ou 80, sabe? Sinceramente, eu espero que não saiba, mas em verdade, não me arrependo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012



Acho que não sou uma escritora, talvez e infelizmente nunca serei, sou uma contadora de histórias, conto meus momentos. Comecei a escrever para me contar detalhes que eu não quero esquecer, e em deveras, peguei gosto pela coisa. Hoje conto minhas historias, estórias, causos, sonhos, realizações, como foi, como poderia ter sido, hoje conto e me encontro em lágrimas, sorrisos e gargalhadas, em emoções, as mais sinceras e invioláveis do meu coração, mas sobre todas as outras coisas eu falo de amor, do amor, como ele é, em todo seu vermelho, as vezes opaco, as vezes incarnado, porém sempre movendo meu mundo, me contando o que escrevo, o que percebo e é só meu para todo o mundo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012



Mas você deveria saber,
Estamos falando de mulheres,
Ainda que amantes,
Em sua essência sempre serão rivais.

domingo, 28 de outubro de 2012

A paz de estar em par com deus



De repente, aquela dor tão latente se torna algo morto e distante  como ecos vagos que mal posso ouvir, o que sinto, o que verdadeiramente posso sentir é essa paz de espírito, essa união com o universo, essa incrível sensação de ter me encontrado dentro de mim, nos Teus braços, na minha fortaleze  porque Você vive dentro de mim.

domingo, 21 de outubro de 2012

Agora eu vejo, aquele beijo, era mesmo o fim.



Acho que eu chorava tanto enquanto te olhava dormir porque eu sabia que não seria eterno, mas, eu queria tanto, tanto! Mas no fundo do meu coração, eu sabia.




Ei, é você mesmo! Levanta esse rosto menina,
Veste aquela roupa bonita, pinta seus olhos com aquele lápis preto,
Aquele que deixa seus olhos mais verdes, e eu sempre acho que são azuis,
Eu gosto tanto de te ver bonita!
Vai lá garota! Poe aquele sorriso bonito que te faz apertar os olhos,
aquele bonito, aquele que parece com sorriso de criança;
aquele sorriso gostoso que eu tanto gosto de ver;
Faz graça com qualquer besteira, usa da ironia, nota tudo que eu não me dou conta;
Pelo simples fato de estar ocupada demais olhando só para você;
Me morde quando eu não estiver vendo, faz alguma coisa,
Faz qualquer coisa, só não chora;
Ou quer saber? Chora! Chora toda essa dor que eu não sei consolar;
Chora e põe pra fora o que parece querer te matar;
Chora no meu colo, chora em casa, chora escondida no quarto;
Mas chora, põe pra fora, põe pra fora o que eu não posso tirar;
O que só o tempo pode fazer cicatrizar; 
Eu queria tanto te cuidar!
Vou te olhar e pensar que isso vai passar, e vou estar com você,
Mas eu não vou dizer, você não vai ler, vou deixar subentendido,
Até que eu possa ver esse lindo sorriso que me faz brilhar,
Vou te ver com aquela roupa bonita e vou dizer:
Ei, é você mesmo! Menina, eu quero te amar!

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu acredito no amor




Acredito na força do amor, que ele pode mudar o mundo. 

No amor, em todos os amplos sentidos, amor de irmão, amor de mãe, amor de amigo, amor pela mãe do amigo, amor pelo cachorrinho da prima da vizinha, por aquela flor que nunca reguei, amor por alguém que nunca vi, amor por quem vejo todos os dias, amor dito, amor oculto, amor de admiração jamais revelado, amor construído, amor fluído. Eu acredito no poder do amor.
Imaginar um mundo em que todos olhem uns para os outros com um pouco mais de amor na retina é um pensamento quase utópico, mas acredito que não seja impossível, todos os dias nos deparamos com dezenas de sentimentos, que acabam indo e voltando a cada segundo, a cada respiração, fluindo pelos poros, que nos fazem falar coisas que não queremos, que nos arrependemos, que nos fazem dizer a palavra que não deveríamos nem saber o significado: "me desculpe", acredito que um mundo em que transpirássemos mais amor não precisaríamos saber a dor da perda, a importância do perdão, você pode dizer que sou uma sonhadora, tudo bem.

Eu acredito na força do amor, por tudo e por todos, embora não seja sábia o suficiente para demonstrá-lo como eu realmente quero, mas eu acredito que isso não é só um sonho, eu acredito na força do amor.

sábado, 13 de outubro de 2012

Tantos corações querendo ser o dono do meu, querendo ao menos entrar, perguntando "tem lugar pra mim?" e eu nem ao menos sei se vale a pena deixar alguém entrar, a solidão ocupa muito espaço.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Noite - Parte I




O céu estava completamente estrelado, límpido, belo, o que era de se esperar, não havia nada que não fosse estrada e um horizonte sendo tomado por estrelas que iluminavam todo o caminho, uma lua enorme e prateada que deixava tudo ao redor parecer mais bonito, até as árvores que a muito tempo me faziam tremer de medo, crianças sempre imaginam dragões onde eles não estão.
Mas, dessa vez era diferente, eu já era bem grandinha, e não estava sozinha, estava com ela, ela? Bem, ela sorria com dominação enquanto dirigia para algum lugar que eu mal sabia onde era, e talvez nem ela. 
A música estava alta, quase tapava meus ouvidos, mas tudo bem, não estávamos conversando, não estávamos brigadas, mas queríamos, cada uma a seu modo aproveitar aquele momento de liberdade, afinal, quem sabe o dia de amanhã? Então, foi desse jeito que saímos daquele bar, com o propósito de viver o hoje, de dirigir a cem por hora, sem nos importar com placas ou sinais, sem nos importar com o fato de já termos bebido o suficiente para apagar a qualquer momento, ou como voltaríamos, voltar para onde?
Ela parecia saber muito bem o que estava fazendo, acho que ela era mais da estrada do que seu ar de garota séria da cidade poderia demonstrar, mas, o que eu sabia dela? É aquele tipo de pessoa que você conhece por anos, mas ao mesmo tempo, não faz ideia de quem seja, mas eu sabia que eu a queria, e ela a mim.
Sem nenhum aviso ela jogou o carro para um descampado que não tinha cerca, o que chegou a me assustar por alguns instantes, mas logo ela estacionou, abriu a porta e levantou, esticou os braços e se espreguiçou, olhou para trás e só disse "não vai descer também?" Seu ar estava totalmente descontraído, o álcool faz milagres com algumas pessoas.
Mesmo estando muito tonta eu abri a porta e cambaleei em sua direção, fiquei a seu lado, quieta, sozinha olhando aquela imensidão de estrelas que pareciam me engolir, sentei no capô do carro, quando me dei conta já estava deitada, perdi ela de vista, perdi o céu de vista, fechei os olhos e senti aquela brisa gélida da noite percorrer todo meu corpo, e logo depois minha blusa sendo levantada e alguma coisa parecida com areia caindo suavemente em meu umbigo, não era areia, era pó.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ela, o vento, a alma



A sensação é clara, como o ar do campo entrando no pulmão;
Ela respira em plena noite, como quem respira as seis da manha;
O ar é leve, mais leve que seu estado de espírito;
Ela sente frio por dentro, e não é aquele tipo de frio que se resolve tomando conhaque;
No fundo ela cansou de andar pelas ruas sem destino;
Ela só dirige seus pés seu rumo e já faz algum tempo, mas não a condene;
Ela vem tentando o máximo que pode, ela até quer ser uma boca garota;
Mas ela não sente, não sente mais nada, nem vontade de ir, nem vontade de ficar;
Oras, o que ela realmente quer? Qual o sentido dessa caminhada?
Ah, como era bom descobrir!
Mas ela realmente não sabe. Não, não sabe.
Mas sabe se comparar as pegadas deixadas na areia que o mar apaga;
As vezes gentilmente como um beijo, as vezes com a violência de um atropelamento;
Mas a areia continua ali, não muda, não acaba, ela já não sente mais nada;
Ela sente o salgado do mar e o frio do vento, como quem respira pela noite;
Como quem deixa o mar guiar a alma para algum lugar que essas palavras,
Para que essas palavras possam fazer algum sentido.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Everything about she




Nunca soube escrever sobre você, lá vai mais uma tentativa, espero que não fique tão ruim!

Hoje me perguntaram: “entre as pessoas com as quais convive, quais mais admira?”, e sinceramente não tive como pensar em outra resposta: dona Selma, minha mãe, incrível é pouco pra descrever a grandiosidade dessa mulher!

E não tem como ser outra pessoa, eu costumo pensar que as úncias pessoas até hoje que conseguiram me fazer chorar foram mulheres, não só porque só elas conseguem me tirar do sério, mas sim porque são as únicas que consegui amar de verdade, ter todos os extremos de sentimentos, e entre todas as poucas que conseguiram, você tá no topo da lista, viu?

Está em todos os topos, da pessoa mais admirável, que abre mão de tudo pra cuidar dos seus, que nos quer tão grandes e maiores do que podemos enxergar, mas você consegue ver tão claramente que não aceita menos que isso, que é mulher o suficiente para cuidar de 4 filhos geniosos e de personalidade forte, que apesar de tudo ainda é uma menina que quer cuidar e ser cuidada, que tem a família como os melhore amigos, que sabe ser a pessoa mais raivosa do mundo quando está com raiva, e a mais serena das criaturas quando olha pra sua gatinha de estimação, ou pra qualquer animal do mundo, com seus sonhos tão bonitos, você é tão bonita! Sempre de salto, cabelo arrumado, batom, acho que nunca te vi desarrumada na vida, organizada, canceriana demais! Guerreira demais, meu Deus quem seria eu sem você? O que seria? Tem noção que você é alguém tão incrível que eu não tenho habilidade na escrita suficiente para descrever qualquer coisa sobre você? Tudo parece tão pouco comparado a você, minha mãe, minha rainha, amor da minha vida, você é tudo e tudo é você, não sei explicar, mas eu consigo entender, porque eu também sou um pouco de você.

No fim das contas, mãe é tudo sobre você, a pessoa que mais amo e que mais tem amor no mundo, não conheço ninguém que possa ser capaz de amar mais do que você, de sua forma, mas de sua forma totalmente sincera, única. Eu queria muito dizer que te amo agora, mas você está dormindo, mas amanhã vou fazer como ando fazendo, chegando como quem não quer nada, me aproximando, afagando seu cabelo, ainda sem jeito, como quem não tem costume, mas que guarda toda a vontade de expressar no mundo, dar um beijo em sua testa e dizer que te amo, amo, amo, e que do meu jeito vou ser o melhor que eu puder para mim, não sei explicar, mas você consegue entender, porque você também é um pouco de mim.

Eu te amo! 


Você sabe, eu me apaixono todo dia, mas hoje, hoje eu me apaixonei por uma menina; e eu nem sei o nome dela! Não sei explicar porque, mas me encantei pelo seu sorriso e a trança solta em seus longos cabelos, aquela franjinha cheia que casava perfeitamente com sua face, seu jeito de mulher e sua timidez ao encarar meus olhos por algumas frações de segundos fortes o suficiente para me tomar a alma, naquele estúdio de Ballet  enquanto aprendíamos sobre luz e sombra, sentíamos a magia da sétima arte, não trocamos uma palavra, mas sabe? Hoje eu me apaixonei por uma menina, e nem ao menos sei seu nome! Sei que sua pele é branca e suave, de tal forma que quase posso sentí-la, sei que ela é mais alta que eu e tem uma silhueta delicada e poética, sei que ela desenha e tem sonhos tridimensionais, sei que seus cabelos são castanhos, não sei afirmar se seus olhos são castanhos, verdes ou cor de mel, sei, que sua boca é tão rosada e seus lábios são tão delicados… Tudo nela se destacava naquela iluminação bem evidente, com seus contrastes e sua glória sob refletores que não lhe davam o devido enfoque. Estava num canto da sala, mas não se apagava, não mesmo! Não para mim, pois eu me apaixonei por uma menina, e nem sei seu nome, mas eu me apaixono todo dia. 
Quiça nas frias noites de inverno, quando o mais alto dos suspiros é o vento que corta a noite, é o vento que gela a alma. 
Eu te perdi, em troca, eu ganhei o mundo, mas ainda não sei se essa troca foi exatamente justa. Eu sinto sua falta, de uma forma que talvez você nunca sentirá a minha. 

“Não há arrependimentos, apenas amor, seja como ele for.”

Me propus a ver-te em sonhos,
Dormir com a alegria de sonhar,
Com a alegria de ao menos ali te ver,
Não ter que me delongar com palavras saudosas,
Ou tristes versos, não!
Nada disso,
Em meu sonhos haviam sorrisos suficientes para fazer feliz uma vida. 

Apenas faça o que seu coração estiver disposto a sentir.

Acho que eu queria que fosse diferente, eu queria que desse certo em algum momento… Que fosse alcançável, acho que eu queria uma resposta, sei lá, um “vamos tentar”. 



“Chega a ser dilacerante sentir, em algumas situações, como as que frequentemente vivo, parece ser um mero capricho insano não seguir seu coração quando ele clama; oras, capricho seria seguir ele, mesmo sabendo como tudo isso acaba, porque sim, acaba, e o que sobra são cacos de um coração, que um dia fora inteiro, me recuso a seguir esse capricho insano e doentio, mas, no fundo, eu sigo! Ah, eu não queria sentir, a verdade é que a felicidade está na ignorância. Eu seria feliz se não conhecesse o teu beijo.”


Marcella Magalhães em Benigna - Izis Vieira  
Sabe o que mais me dói? É saber como as coisas são, saber como elas acontecem, como estão, como vão estar, entender cada mecanismo dessa fluência, do estranhamento, cada centímetro dessa dor, o que dói é saber como termina, porque sim, termina. 

Será que poderia?




Poderia haver alguém, alguém que gostasse de fotografia, que sentisse as mudanças da cor do céu, na mesma fluência que o sol não gira, mas, parece girar;

Poderia haver alguém que gostasse de ler mangá com mais paixão do que qualquer noticiário da TV, que se encantasse por mundos dentro de mundos, mundos inventados, mundos tão coloridos em páginas preto e branco;

Poderia ser alguém que também soubesse ver a beleza de um anime, OVAs emocionantes, que gostasse não apenas de assistir, mas mergulhasse na trama, que tivesse dentro de si um pouco de drama, porque não?

Alguém que amasse a 7ª arte como se fosse uma religião, que visse tudo em cenas, esquadros, quatros, fotografias velhas, vintage, que soubesse sorrir mais do que chorar;

Poderia haver alguém, alguém no mundo que parasse para me ouvir, mas que me calasse com beijos apaixonados, que soubesse ser todo dia um personagem, mas todos eles apaixonados por mim, por mais ninguém;

Bem que poderia ter alguém, alguém em algum lugar que me olhasse e me enxergasse por dentro e que não me largasse por nada no mundo, que soubesse que quando sentisse frio, era só procurar o meu calor;

Poderia haver alguém, alguém que fosse lindo, lindo nos sentidos mais amplos que me fizesse me apaixonar diariamente, que soubesse que o amor não se constrói, se sente e não se evita, não se elimina, pois, quando o fazemos eliminamos parte de nossa alma junto dele;

Alguém que sentisse meu cheiro no vento e corresse para me ligar, que me fizesse passar horas e horas, até a bateria acabar, me fazendo perder a noção do quanto odeio telefones, e eu sentiria falta ao desligar;

Poderia haver alguém. Não precisava ser artista, nem comunista, bastaria olhar o céu comigo no escuro e entender das estrelas, amá-las como amaria meus olhos, sem jamais os comparar;

Poderia haver alguém que ficasse um domingo chuvoso inteirinho de baixo da coberta e acordasse com vontade de fazer amor até segunda-feira;

Esse alguém poderia também não fazer nada o domingo inteiro e leria um bom livro enquanto eu o olharia até cochilar, e despertaria e continuaria olhando, e cochilaria novamente, e acordaria e faria cócegas, e cobriria de carinho e beijo, me colocaria no colo e prepararia sem pressa algo gostoso para comer;

Esse alguém poderia ser questionador e me irritaria o suficiente para eu querer matá-lo, mas seria importante o suficiente, seria amado o suficiente para eu nunca fazê-lo, e eu nunca desejaria passar uma noite brigada com ele, o coração de um aperto só me faria dizer que não gosto disso, e mais uma vez dormiria sossegada nesses braços, mesmo com meu sono inquieto, cheio de mundos a percorrer;

Esse alguém não se importaria de ter a coberta roubada durante a noite e acharia graça quando me visse falar seu nome enquanto durmo, pois saberia que até sonhando eu teria em quem pensar, quem buscar;

Poderia haver alguém que me visse como uma princesa, não importa o quão desarrumada eu estivesse, mas com gosto me ajudaria a melhorar;

Poderia haver alguém que lutaria por mim, não deixaria ninguém nos afastar, nem ele mesmo;

Poderia haver alguém que soubesse amar de corpo e alma, e que saberia que uma vida é pouco para amar, apesar das coisas feias do mundo, então não perderia tanto tempo, mas voltaria sempre para mim, pelos séculos, e séculos, e séculos, mesmo que só houvesse uma vida, voltaria por mim;

Poderia haver alguém no mundo, ele não precisaria ser perfeito, nem ter tudo que citei acima, mas poderia haver alguém no mundo, sim, poderia haver alguém, alguém que pudesse, que soubesse, que quisesse;

Alguém para me amar, bem que poderia haver! 

Mas você não entende, você nunca entendeu essa minha ânsia de cuidar de você… Mesmo que não sejas mais minha.

É a chuva que cai silenciosa lá fora, é a música baixa que toca em meus fones de ouvido, tão triste e que me transporta para longe daqui, para algum lugar que só minha alma sabe o caminho, é um misto de sorrisos e lágrimas, é um canto profundo dentro de mim que a muito não visitara, é o torpor que só o frio e a solidão podem me trazer, e ao contrário do que muitos pensam, é um ótimo lugar para se estar. 

Cuida desse coração menina, ele que é tão lindo… Porque o deixas assim jogado aos cantos, como se nada fosse? Cuida desse coração menina! Ele é o que de melhor tens em ti.




Eu queria mesmo que você fizesse parte de tudo que me rodeia, do que me faz bem, o tempo é curto e não posso gastá-lo com mentiras, ah, não! Como disse, sou sincera demais para um mundo tão voraz, também sei mentir, mas hoje, essa noite não! Eu sinto falta de você, de sorrir com você, da calma que sua respiração me traz, de poder viajar, dormir no teu colo, de puxar toda a coberta, de me aborrecer, mas um motivo maior que eu sempre me fazer voltar, sinto falta de te ligar toda manhã e te falar sobre as coisas incríveis do meu dia, ou da monotonia, ou reclamar um pouco, te contar contente sobre as coisas do meu mundo, de te descrever cada segundo, daquele tom azul do céu, daquele calafrio na madrugada, daquele sonho bom que tive com você, de quando éramos bem mais nós do que apenas um eu e um você lá bem longe, em algum lugar que não posso te alcançar. Só sinto sua falta, e hoje eu não vou negar. 

Minha melhor câmera são teus olhos, baby.

Um frio perverso; uma solidão de gelar a alma; a força tomando conta de mim; já não tenho nem a raiva, nem a calma, hoje só tenho a mim. 

Como matar o amor





Então ela virou pra mim naquela tarde de Maio, me olhou no fundo dos olhos com um pouco de tristeza disfarçada, então de súbito me perguntou: “Você poderia me responder o que mata o amor?” Eu parei e pensei, mas, em verdade não precisaria de toda aquela pausa que dei para dizer-la o que sempre soube: “Indiferença. É frio e distante o suficiente para apagar qualquer chama… Até a do amor!” Ela concordou e continuou do meu lado, pensando nisso, mas, sabia eu que ela não tomaria nenhuma ação.


Caminhei por calçadas conhecidas,
Os mesmos caminhos de sempre, 
Buscando nada encontrar,
Encontrando rostos conhecidos, 
Mas nenhum que realmente me fizesse falta, 
Que eu gostaria de ver. 

É nessas idas e vindas, 
De ruas, asfalto 
E  esquinas que me pergunto por onde anda você.

Eu quera ser diferente,




Eu queria ser fria, eu queria não me importar, ou ao menos saber fingir, acho que sempre foi isso que faltou em mim, a arte de blefar, blefar quando não tem mais nada a fazer.

Queria sentir menos, queria que meu coração não absorvesse tudo ao mesmo tempo, queria que não pesasse, oras, não deveria ser leve? Ao menos foi sempre assim que eu achei que fosse, que era, que é, não sei, só sei que atualmente meus sentimentos estão bem desconfortáveis, ainda tentando se encaixar num corpo de uma jovem mulher. Uma jovem mulher que no momento só queria não sentir tanto seu coração bater, doer, implorar alguma coisa que nem ele mesmo sabe, que sabe que não pode ter, que tem tanta vontade de dar, são as asas de minha alma, tão presas nessa gaiola almejando voar, voar, voar, eu sou a liberdade, o amor e a leveza.

Mas também sou o peso, a agonia, a tristeza, é a felicidade e pesar de olhar pra lua, é a menina, a mesma menina que confundia luzes artificiais com o brilho das estrelas, nunca soube escolher direito por onde se guiar, ia para onde a estrada a levasse, para onde os pés deixassem caminhar, sempre soube muito de entrega, e teve que aprender sobre proteção, a nova tarefa é saber medir.

É que eu nunca aprendi a desistir de meus sonhos, a deixar de lado, a não batalhar, uma guerreira amazona cheia de mistérios, mas que também não sabe ganhar suas batalhas, batalha contra o tempo, contra as adversidades, contra os conceitos, contra as possibilidades, alguns diriam até que contra a razão, esse é o problema, me sinto lutando contra tudo e não enxergo nada a meu favor.

É o bom e o mal de se sentir completamente sozinha.

Ah, solidão, a velha amiga! Talhada na parte sólida da alma, que dói cada vez que o vento está frio e não se tem ninguém para abraçar, quando tudo é solidão, é o estar só que te bem quer. Mas a gente só pode ir para onde a estrada vai, o perigo é se acostumar ao caminho, é gostar de ser sozinho e se trancar um pouco demais, não gosto de me trancar, não gosto de fingir sorrisos, não gosto de mostrar tristeza, o que chega a ser um grande problema quando se vive num mundo em que todo mundo, de certa forma, espera algo de você, e você espera algo maior do que todo mundo, nesse imenso desafio que é ser eu. Ser ou não ser, eis a questão.

Não sei, só sei que está bem duro, meu irmão! Mas, talvez eu te encontre no caminho, talvez a música me guie até você, talvez meu coração aperte um pouco mais e eu vá ao teu encontro, talvez sim, talvez não. Talvez eu aprenda a deixar pra trás, talvez eu nem sinta mais, não sei, não sei.

Sei que acordar todos os dias e enfrentar um dia difícil sem ter ninguém para te ouvir a noite é ser destímido, sei que não chorar ao telefone é ser bastante corajoso, não fugir dos compromissos, fazer tudo que se tem que fazer, isso é ser forte quando se quer apenas correr e se esconder nos braços de alguém, é ser muito valente sorrir todos os dias mesmo com o coração flagelado, escondendo lágrimas, distribuindo ”bom dia”, é ser intrépido tentar resolver as coisas, mesmo quando elas não são resolvidas, não às claras o suficiente para você entender, é ser muito, mas muito bravo aprender a amar no ultimo segundo de agonia, saber se reerguer, escrever algo bonito sobre como é se sentir da forma que você mal entende, você percebe como é audaz ao ver o quanto se pode crescer em pouco tempo, com os braços abertos, com a alma lavada, com o coração nas mãos, com seu ser inteiro diante de um penhasco, passando por uma ponte tão velha e frágil quanto a esperança, mas que, de alguma forma inexplicável continua lá.

Deixe-me falar!





Hoje estou com um turbilhão de sentimentos e sentidos se alastrando em mim e eu quero muito falar algumas coisas, eu poderia simplesmente enaltecer o que tanto aprecio em você, ou expor em linhas simplesmente tudo aquilo que detesto em você, quando se tem tantos sentimentos assim é muito simples escrever, mas, não quero falar nada disso, ou talvez sim, não sei, eu só sei que eu não gosto disso, e eu to cansada em demasiado para fingir que não me importo, e que não me incomoda, ou que as coisas se resolvem com meros afastamentos ou com súplicas de “ne me quitte pas”, ou muito menos que eu não tento ter nenhuma espécie de diálogo, pelo amor de todos os deuses do Olimpo, sem essa! Não, não é assim, não é com um “tudo bem, isso vai passar” ou algum “é assim e ponto” não, não, não não, PORRA NÃO É ASSIM!

Eu to cansada de não pedir desculpas e não ouvir desculpas, de ver mais orgulho do que diálogo, de ações provindas de subentendimentos, de especulações, da porra do mundo das ideias, eu não sou Platão! Muito menos Narciso, não sou perfeita e nem me importo apenas comigo, não gosto de lamentar comigo mesma no fim da noite pelas coisas não ditas, ou pelas coisas que foram ditas da forma que eu não queria que fossem, que não são entendidas como deveriam, estou cansada de sms mandadas com o coração na mão e nenhuma resposta, e sms de discussões chovendo como se fosse mais fácil dizer um “você está errada” do que um “eu te amo”, o que se ganha com tudo isso? Afastamentos? Então voltamos a esse ponto; esse ponto que ao menos para mim nunca resolveu nada, eu queria mais soluções e menos impossibilidades, eu queria mais esperança, e quem quiser me chamar de fantasiosa e sonhadora que me jogue o primeiro paralelepípedo no meio da testa, acho fundamental para se obter méritos, fixar metas, sonhos, só assim a gente pode conseguir algo, é sonhando que conseguimos alguma coisa, afinal o ser humano tem a dádiva da capacidade teleológica, então, porque não usá-la? Será que não estou sendo realista ao afirmar isso?

Cansada de acreditar num “tudo bem” quando só eu acho que assim está, cansada de me sentir uma babaca quando vejo que não é bem assim, cansada de chegar perto do que almejo e ser jogada para longe, cansada dos empecilhos e das barreiras, são tantas pedras no caminho que as vezes é mais fácil fazer uma muralha do que abrir passagem, do que simplesmente ultrapassá-las e seguir, cansada de tanto não, de obstáculos, de pensar duas, três vezes, cansada o suficiente para querer mudanças drásticas dentro de mim, cansada porque sei que já mudei muita coisa, sei que posso ser bem melhor que isso, que apesar de ser uma menina brincalhona, sou uma mulher forte, uma mulher e tanto! Exijo ser vista por todos e por quem quer que seja dessa forma que sou, e sim, isso é uma imposição, é um grito é um “pelo amor da Deusa me veja como sou” você sabe “me veja como só você é capaz de me ver”, e ao que parece não está vendo, ou está e não está me dizendo, porque há orgulho e tantos outros sentimentos que faz com que a minha imagem seja distorcida absorta em algum lugar que só você pode achar, é um “pelo amor dos anjos, isso pode funcionar!” mas que eu não vou fazer sozinha, porque sei que não quero isso sozinha. Apenas tolos entram em batalhas sozinhos, eu quero menos sonhos e mais concreticidade. Eu quero estar no lugar onde você está e não ter que omitir verdades por orgulhos idiotas que nem sei porque tenho, ou não estar aí por orgulhos bestas teus que você prende a si mesma com tanto afinco, são anos de convivência o suficiente para saber que seu orgulho nunca te trouxe nada de bom, algumas cicatrizes bem amargas talvez, nada mais que isso.

Eu tenho a plena consciência que não tinha aos 18, embora sinta falta de muita coisa daquela época, e como naquela época, ainda me perco em momentos inúteis de pensamentos insensatos, como você entrando por essa porta e me abraçando forte o suficiente para me fazer sufocar e apertando meu braço com força o suficiente para eu sentir que é de verdade, que está ali que estamos juntas nisso, que eu não vou ter que ler e falar besteiras, e que você acredita em mim sem ter medo de qualquer merda do meu passado, e eu da mesma forma conheço você e seu coração, que no fim das contas é quem importa e manda mesmo, que dá sim para enxergar a verdade como ela é, nem que fosse para abrir a cabeça e socar lá dentro as verdades tão claras que estão aqui e ninguém faz questão alguma de enxergar, que isso ainda vale a pena, como a gente sabe que vale a pena.

E pelo amor do sândalo da montanha, me corrija se eu estiver errada, se não for assim, e como for só me diz, “se não faz sentindo, discorde comigo, não é nada demais!” não tem que ser uma troca de farpas e sim de pensamentos, de ideias, não quero felicidades inventadas, nem fantasias encantadas, muito menos prender sofrimentos sufocantes dentro de mim como se fossem meus tesouros, ou saber que você chora e não poder saber os motivos, ah, como se eu não soubesse! Eu queria que você confiasse mais em mim, eu queria que enxergasse que eu não sou o tipo de menina mimada que quebra ao meio ao saber o que não gosta, nem planeja represálias arquitetadas.

Enfim! Gostaria de parar de brincar de esconde esconde e resolver isso como adulta, mas enfim! Enfim! Enfim! Sempre terminamos conversas sérias por essa palavra, não é? E sempre chega a um ponto que não sei o que falar, graças a todas as minhas travações psicológicas, heranças ruins de uma infância fudida e mal lembrada, que não me deixa nem ao menos por para fora as coisas ruins sem entrar em estado de profundo torpor, mas eu também estou cansada de ser espectadora de meus problemas e precisar de Ninffas e Karolinys para falar o que eu penso, não sou uma princesa nem uma femme fatale, sou uma mulher com defeitos e qualidades, com sonhos, desgostos e verdades, e algumas delas estão aqui, para serem lidas, outras para serem engolidas, mas é tudo meu, e de certa forma é tudo para você. 




Embora eu não veja isso como verdade absoluta, as vezes me vejo entendendo que os erros cometidos funcionam no efeito dominó; alguém comete um erro com a gente, e a gente comete o mesmo erro com uma outra pessoa, formando uma sequência de erros intermináveis. Então, vejo que não existe ninguém inteiro, todos já foram quebrados e trincam cada vez mais os outros, mesmo que inconscientemente, nunca fez tanto sentido o ditado que fala “quem com ferro fere, com ferro será ferido”,  a diferença é que todos estamos com espadas afiadas nas mãos e não nos damos conta. 

“Setsunasa no kagiri made dakishimete mo, itsumade mo hitotsu ni wa narenakute, yasashisa yori fukai basho de, fureau no wa itami dake.” 
O que você não percebe é que se eu pudesse, não importa o motivo, eu abraçaria você, tiraria sua dor, levaria ela para bem longe de ti, nem que fosse para dentro de mim. Mas não posso fazê-lo, como se chama isso? Ah, impotência, é verdade, é a palavra que descreve quando você quer fazer a diferença e não poder fazer nem o mínimo do mínimo. 




Posso contar uma história?

Augusto sempre foi bonito, inteligente, calculista. Poderia resumi-lo nessas três coisas, embora eu saiba que ele é bem mais que isso. Ele era um dos filhos mais novos de um casal de uma cidade simplória, pai pedreiro, mãe dona de casa, e muitas bocas para alimentar, o comum da época. Ele sempre foi esforçado, sempre soube de seu potencial, então, ainda jovem saiu daquela cidadezinha sozinho, mudou de estado, foi para um colégio interno, era jovem, porem bem maduro, sabia o tempo certo de viver, e sabia que esse era seu tempo de se preparar para a vida, isso não era questionável.

Josefa, bem, era uma bela jovem de longos cabelos lisos e negros, muito sonhadora de uma cidade bem pequena também, estado vizinho, nem sonhava em conhecer Augusto, e talvez nem teria olhado para ele nessa época, seu coração era de Pedro e isso era imperativo, Pedro sabia de seu amor, e foram crescendo, crescendo sabendo de seus sentimentos, pouca coisa poderia mudar, talvez foi assim, não sei, mas a vida as vezes prega peças, o destino se ajeita da forma que ele deve ser, nem sempre como queremos. Pedro, que sabia que era amado, que talvez a amava (não sei muito sobre ele) acabou passando por uma tragédia: seu pai foi morto por um membro de sua própria família, e ele jurou vingar-se, abandonou a cidadezinha e tudo que ele conhecia como bom e seu, foi embora pela vingança, Josefa o esperou por anos, mantendo seu sentimento, mas, o destino ironicamente fez que sua história de amor acabasse ai.

Augusto concluiu seus estudos, por algum motivo que só a linha do destino pode saber foi morar na cidadezinha daquela linda garota sonhadora, que se tornara uma mulher mais linda ainda, porém, já não tão sonhadora, pensava em Pedro, mas a vida seguia, tinha outros namorados, mas nenhum servia. Mas a vida seguia, e seguiu até olhar nos olhos de Augusto, e ela ter certeza que se não fosse com ele, não seria com mais ninguém. E eles se apaixonaram, eles casaram, tiveram filhos,  alegrias e tristezas, como todo casal, mas aí me pergunto. Será que um dia Augusto soube do amor de Josefa por Pedro? 

Se sabe que Augusto, após ter concluído seus objetivos teve muitas namoradas, sua vida estava traçada, e por algum motivo se enamorou de alguém que de outro estado, na cidade que recém chegara, será que ele amou alguém antes de Josefa?

E se Pedro desistisse de sua vingança, será que Josefa nunca teria se apaixonado por Augusto? Ou teria reconhecido o amor tarde demais nos olhos dele? Teria ela sido mais feliz? 

Escolhas, elas fazem mais diferença do que se pode imaginar, será que algum dos três pensou nisso? Bom, Augusto pensava em tudo, mas, será que pensou nisso? Josefa teria uma vida melhor? Se ela pudesse voltar atrás, ela teria feito a mesma coisa? E Pedro? O que Pedro faria? Onde está Pedro? 

São protagonistas da vida real, são contos de realidade, são as escolhas, ou o destino? Estará alguém, algo em algum lugar escrevendo histórias, ligando pessoas em fio invisíveis, será que tudo valeu a pena? Bem, eu não sei, mas espero que ela tenha tomado a decisão certa, que seja feliz como sempre sonhou ser, mesmo com todos os problemas da vida real, que ainda tenha, mesmo que bem escondido dentro de si a menina do coração bonito, que ouvia a mãe como a um oráculo, que entende do amor, mais do que eu, e que por amor sabe que só ele vale a pena nessa vida. Espero que um dia ela sente ao meu lado e me conte essa história. 

Sente, sente, levanta e vai embora.

Esse tal de “sentir” é uma faca de dois gumes, não é verdade?

Aprende menina: sua felicidade não é feita para durar.

Chegou por volta das 5:30 da manhã, o sol nascia sorrindo brindando a sua presença, eu brincava com a minha mente, lembrando quantas vezes eu esperei por aquele momento, se ele, realmente aconteceria, a algum tempo era algo tão distante… Mas estava acontecendo, sim, estava! Entramos em casa silenciosamente, todos dormiam, e eu estava tão eufórica, te beijei timidamente, as paredes aqui costumam ter ouvidos, e a fechadura da porta, olhos implacáveis, então, você pegou meu violão e procuramos algumas músicas pra (você) tocar, aí você tocou “Hey There Delilah”, como descrever? A melhor versão de todas, e o que eu pensava naquele momento? “this one’s for you!” E o sol ficava cada vez mais quente, bem como meu coração. 

Numa conversa paralela com uma amiga dentro de um ônibus infernalmente parado, eis que falo:

— Não sei explicar, só sei que meu coração bate forte, cada vez que sinto o cheiro, ouço a voz, que vejo, ouço uma música que me lembre, que algo no meu dia simplesmente me diga: “estou te dando uma doce lembrança de quem você ama”, bem, eu só aceito, não entendo, talvez eu nunca entenda exatamente, só sei que é estranho e bonito estar apaixonada assim, por tanto tempo, dizem que o ser humano só fica apaixonado no máximo por dois anos pela mesma pessoa, não é? Então, acho que sou um E.T. mesmo, rs.

— Me ensina a formula então?

— Você realmente acha que eu sei? Bom, só o que posso dizer é: eu apenas amo! 
As vezes me recordo de tempos que não me deixam tão bem, não que importem agora, mas, vez ou outra eles ainda voltam a cabeça. Você sabe, os piores fantasmas a serem combatidos são aqueles que projetamos em nossas mentes, e sinceramente nada daquilo me deixava exatamente feliz, mas, para mim, era imperativo a sua felicidade, se não comigo, com quem fosse, apenas era, era o teu castelo, tinha a solidez que tu desejaste que tivera, seria errado eu querer que ele fosse de areia? Não, sei que não, sou humana o suficiente para querer algo ruim assim, mas, também, humana o suficiente para querer que a onda nunca o levasse, se isso te fizesse feliz, se isso te fizesse feliz, para mim estava bom, bem, continuo humana, então, não seria pecado eu dizer: que bom que passou? Mas agora são outras batalhas, outros dilemas, estes estão mais ligados a mim, e eu continuo pensando no que te faz feliz, no que te faz sorrir, em como tornar estes profundos desejos em realidade diária.