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sábado, 29 de setembro de 2012



Ela terminou seus três livros e escreveu mais seis, três deles científicos, está escrevendo mais um, desenha com amor e pretende ir ao Japão fazer aquele seu sonhado curso de mangaká, ela decorou seu apartamento do seu tempo e comprou seu carro vermelho, mas ainda quer o amarelo, tem a maioria dos tênis e saltos que quer, está se preparando para a prova do doutorado, aprendeu a dançar e deixa seu corpo se comunicar da forma que ele quer, conseguiu dominar o inglês, o francês e o que mais viesse, ainda está de olho no japonês, morou em quatro estados diferentes e está pronta para mudar de país, dá festas em casa, vê filmes no cinema regularmente, aprendeu a tocar violão e quase não se arranha quando anda de skate, ela sorri com a alma, ela tem os batimentos cardíacos nos olhos, ela pulsa, ela vive, sua vida tão apaixonada por cada coisa, por cada pessoa que sua vida já tocou, é o diabo daquele fio vermelho, não é? Aí, ela para e pensa “eu finalmente cheguei lá, e eu cheguei mais longe do que eu nunca imaginei que chegaria, eu sou destemida, porque eu sou eu mesma.” Então… Bem, então ela acorda, ainda está no seu quarto de sempre, com as coisas de sempre, era só mais um sonho, como todos os outros, que vem e vão, que passam, que se quer muito, mas que nem sempre se pode ter, mas, qual deles ela vai poder ter?
Comecemos por ser dona de si mesma, por hora, é o bastante, sonha menos menina, sonha menos e se machuca menos a partir de então, e realiza tudo que puder, faz de teus sonhos um piso concreto, de suas decepções tua força, sonha com o que realmente te fará feliz e a partir daí veja pelo que vale a pena sonhar, vai, vai aprender a dançar, vai aprender a sonhar!
Como eu disse pra ela quando ela estava aqui, não vou dizer que vou a amar para sempre, porque é muito tempo, e nem nossos corpos durarão tanto tempo, nossas almas sim, e sei que a minha sempre vai procurar a dela, então eu disse que meu amor por ela tem prazo: só enquanto eu respirar, depois minha alma voltará para sua busca, e ao encontrá-la será mais uma vez como sempre foi: só enquanto eu respirar.



E se eu disser que a brisa da manhã que te levou mais cedo não foi capaz de me arrancar as palavras que ficaram junto ao teu cheiro, você me permitiria ousar te decifrar em palavras?

Não que seja algo fácil, na verdade acordei com esse desafio, não somente por eu ser péssima em ler pessoas, e sim por seres repleta de mistérios, com verdades tão tuas, com essa sinceridade implacável, transparente, mas não, você não se resume a apenas isso, entenda meu apenas: é muita coisa, mas, eres bem maior, como um universo de carne, osso, coração, e alma.

Eu poderia falar aqui da criança que vejo sorrindo empolgada com as coisas mais simples, como também coisas sofisticadas. Sempre tiveste um gosto refinado… Mas falo em como todo teu lado puro se manifesta ao ver uma criança que te faz brincar. Sei que nesses momentos você esquece da maioria das coisas, e volta a essência da pureza, do que faz bem, você que é tão menina, você que é tão mulher.

Você que é sempre tão decidida, sempre tentando dar o seu melhor. Pensando e analisando, querendo ser o mais realista possível, não pretende se ater a ilusões, que gosta de saber o que tem nas mãos, mas que no fundo, bem lá escondido tem suas fragilidades únicas, tem seus medos e também seus sonhos, que, diante de tanto fatismo deseja que as coisas venham, não espera por elas, mas quer que elas aconteçam.

Os outros podem te ver como aquela garota que sabe cativar, sabe fazer amigos, que cuida dos seus como pouquíssimos conseguiriam, que tem um dos corações mais lindos que eles jamais conhecerão. Aquela que sabe o que dizer, que sabe consolar, que sabe confrontar, a protetora, a arisca, que se diz intransigente às vezes, mas que sempre sabe perdoar,  eu diria que seu coração é o mais lindo que já conheci. Você que é a tímida mais corajosa do mundo, uma amiga tão leal que faz com que sempre queiram te ter por perto, na Bahia ou no Japão, nunca te faltarão amigos, porque eres querida, eres tão singular que não tenho certeza se minhas breves palavras podem descrever ao menos um pouco de você.

A garota do olhar pulsante, olhos agateados que mudam de cor como que brincando com a luz, com as emoções. Aquela linda bruxa jovem e sábia em seus mistérios, tirada de um daqueles livros tão bons que costumas ler. Ler, tua maior paixão, não sei se por te fazer viajar a outros mundos, te fazer entrar em contato com outras realidades, viver outras vidas, mas, sei que, se um dia alguém fosse escrever um livro sobre você ele deveria se chamar “a menina que amava livros”. Ou a menina que amava a música, que toca violão e canta com uma facilidade linda, nem parece que fica tempos e tempos sem fazer um único acorde.

Aquela que parece um ser místico muito mais belo que um Oráculo Bizantino que, por vezes, tão mítica em sua capacidade de ler as almas das pessoas, de saber naturalmente o que os outros custam tanto a enxergar. A menina que brinca com idiomas, que tanto ama o inglês (praticamente sua língua natal), que fala espanhol, que arranha alemão, que eu consigo ver mais na frente fluente em mandarim, que faz das palavras o que bem quiser e entender, que faz viajar quem lê suas poucas linhas escritas. Aquela escritora excepcional que nunca acaba suas estórias, estórias que vem, estórias que vão, e que tanto querem um fim, afinal, elas precisam morrer para ganharem vida.

Você, sim, você! Aquela garota que adora elogios, mas somente os sinceros, que despensa os demais; que gosta de músicas tristes, mas que quer ser feliz como qualquer um nesse mundo, que é tão especial, o suficiente para fazer uma tarde deitada no chão ser incrivelmente confortável para a alma, para se querer ir mais longe, ser alguém melhor, como você vê as pessoas que ama.

A garota que faz tudo com um cuidado admirável, que faz tudo com amor, que te olha e te faz sentir especial. Que acorda cedo sem reclamar, que trabalha, estuda, traduz e ainda encontra tempo para amizade, amor, festa, e o que mais vier, aquela que não tem frescuras ou medo de viver, que encara tudo de frente. Ousada e sagaz como a escorpiana que é. Aquela que tem o dia gigante que começa tão cedo e dorme tarde, quando o sono vem. Você que é a menina mais forte, e a mulher mais frágil - frágil, nunca fraca - dependendo do angulo de quem vê, que ama verdadeiramente, apaixonada por tudo que faz, mas, que deveria se enxergar melhor, pois é bem maior do que a sua altura e do que se permite enxergar.

Aquela que gosta do frio e mora no calor, que ama a noite, que adora dançar, mas é caseira, que não trocaria um bom livro por muita coisa, de princípios fortes, de caráter e gênio de igual intensidade, que tem convicções que são defendidas com unhas e dentes, que se preserva por medo de sofrer, mas nunca deixa de se entregar. A que carrega o Sol no nome, que brilha como ele, mas, sem ofuscar ninguém, que ajuda os outros a brilhar, que dorme como um anjinho, que faz cara de bichinho, que eu olho e só sinto vontade de ter perto, de cuidar, de te ter em minha vida. Será que você sabe o quão bom tê-la na vida? Em como fazes o mundo parecer maravilhoso? O quanto é linda? Será que minhas palavras de alguma forma são o suficiente para descrever-te em algo?

Bem, eu duvido que sim, mas, vou continuar aqui, tentando, tentando… Tentando te dizer o quanto eres bela, em todos os sentidos da palavra, em todos os ângulos da alma, da mente, desse coração que não mente, desse olhar tão vívido, dessa alma que transmite amor,

por ser única o suficiente para não conseguir ser descrita.  

And you can tell everybody this is your song!




Se você se perguntar porque eu amo tanto essa música, porque que ela me deixa tão pra cima, a resposta é simples, ela está em alguma de nossas lembranças, não sei se você a guarda como eu, afinal, foram muitas! São muitas memórias que construímos todos os dias, não importa que rotulo demos a elas, são memórias de amor, apenas.

E além dessa música ser magica dentro de si, não posso simplesmente esquecer da vez que estávamos em meu quarto vendo Mouling Rouge, e você nunca tinha assistido ele! E sendo um de meus filmes favoritos eu tinha que ver com você, mesmo com tanto cansaço, pois o dia tinha sido longo e feliz, mas a noite foi bela também, e quando tocou essa canção eu só conseguia pensar “I hope you don’t mind that I put down in words how wonderful life is while you’re in the world” Não tinha como ser diferente, e o engraçado, belo e misterioso de tudo isso é que depois de tanto tempo eu penso exatamente isso, quando escuto essa canção, quando olho pra você!

It’s a little bit funny this feeling inside, I’m not one of those who can easily hide!
E esse é o tipo de sentimento que me renova por dentro, e não tem outro jeito, não é mutável, apenas é, como tudo aquilo que é forte por natureza, é como essa canção, “It’s for people like you that keep it turned on”.
Bem, e só para terminar, eu acrescento: so excuse me forgetting but these things I do, you see I’ve forgotten if they’re green or they’re blue, anyway the thing is what I really mean, yours are the sweetest eyes I’ve ever seen.
É que é um pouco da beleza que mora em mim, e eu ponho em palavras, em simples palavras para você, com ajuda do Elton John e a doçura da Ellie Goulding, eles que me desculpem se eu roubei, mas this is your song. 
Olhos pequenos e sonhos enormes, tem um coração bom, bem melhor que suas ações, sorriso torto e ar despreocupado, distração e calma, coração eufórico, pensamentos a mil, sentidos a flor da pele, corpo que decide sozinho o que quer e quando quer, timidez disfarçada pelos holofotes, todas as luzes, toda a atenção, e em meio a tudo isso, toda a solidão, e quando se perguntam: o que há além de tudo isso? Simples resposta: uma jovem mulher com sonhos, desejos, com pouco dinheiro e muita intensão. 
Aí eu lembro do seus olhos olhando para os meus. Bem, e aí? Ai ferrou tudo né. Não tem mais jeito, simplesmente é. É amor.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Eu tinha que disfarçar minha euforia ao subir as escadas para te encontra, meu Deus, como você estava linda!




Posso lembrar da forma como seus olhos brilhavam, ali, encostada naquela parede como quem quer nada, mas que pode causar turbulências cataclismáticas com apenas uma troca de olhar. Lembro-me como tua boca me chamava, como também posso me lembrar da forma como meu coração batia acelerado, descabido, pulsando euforicamente, pois, ele sabia o que queria e sabia que finalmente poderia, mas ainda havia aquele pequeno medo no fundo do estomago, não; eram borboletas batendo as asas desesperadamente. Elas também sabiam que podiam, mas, todos meus desejos, reprimidos e escondidos por anos estavam ali, indo embora como se nunca tivessem existido, como se tempo algum tivesse passado, como se não fossem anos, e sim segundos; como aqueles que antecederam o momento em que esperávamos e estava prestes a acabar.

Com toda a calma que a pressa permitia, me joguei em seus braços e te beijei com força, digo, até com certa violência, nossos corpos não se permitiam mais esperar qualquer segundo que fosse, e sua boca tocou a minha, e minha mão tocou sua nuca, e sua mão envolveu minha cintura de tal forma que o mundo ao redor nem existia mais, nem o risco de alguém nos ver, deve ter durado menos tempo do que eu me dava conta, para mim o tempo simplesmente tinha se congelado, até que abri meus olhos, e olhei pra você, vi como meu corpo inteiro tremia; exatamente como aconteceu na primeira vez que vi você, as mesmas faíscas voando, aquele mesmo sentimento que mal cabia em mim, que me transbordava.

Sorri meio de lado e te puxei para subir as escadas, amigos nos esperavam, e tudo voltara a seu devido eixo, sua boca na minha: nada melhor.

E minha orbita girava exatamente em seu lugar.
O mar estava tão verde naquela manhã, até o calor era abafado pela brisa que nos tocava o rosto, você estava ao meu lado, e eu, feliz, o dia reluzia, o mundo inteiro conspirava, parecia mais feliz, é aquela sensação de estar em casa, que eu tivera pela primeira vez. 

Sobre os dias, sobre a vontade



Os dias vem sendo calmos e bons, incrivelmente bons para falar a verdade, claro que não são perfeitos, minha vida sempre tem que entrar em colapso de vez em quando, nem que seja por alguns segundos, minutos talvez, mas nada pode ser maior do que a vontade de se estar bem, então, o que ha de feliz em mim trabalha incessantemente para que todo o resto fique o mais próximo do mais feliz que nunca imaginei que seria. Sou assim, nasci para não menos que ser incrivelmente feliz, nem que seja por alguns inesgotáveis segundos, aqueles, que a alegria toma conta do teu ser, e te faz sentir como se nada no mundo pudesse abalar esse sentimento, essa vontade, essa conspiração da alma.  

É, é você, e acrescento: você não só me completa e preenche, é ainda mais: você me transborda!

Seu lindo verão chegara ao fim.





E ela entrara naquele ônibus-forno como quem está indo direto para a execução. Bem, para ela não era tão diferente assim, com todos os exageros da frase.

Ela estava apenas cansada, não aguentava mais, afinal, estava passando mais tempo do que o planejado ali dentro, não é que ela não gostasse dali, ela realmente aprendera a ter um carinho bem especial com aquilo tudo que estudava e começara a conhecer a 4 anos.

Esse era o problema, 4 anos era demais para alguém como ela, que sempre foi tão livre de obrigações, de rotinas, de viagens curriculares diárias, se havia algo mais massante que aquilo ela simplesmente não queria conhecer. Eram 4 anos, 4 anos!

Meu deus, 4 anos vendo aqueles mesmos rostos, não é que ela não gostasse deles, apenas estava saturada, 4 anos daquilo era mais do que ela poderia aguentar.

Os mesmos gritinhos histéricos, os mesmos olhares reprovadores, os mesmos sorrisos falsos, os mesmos abraços e tapinhas nas costas, as mesmas fofocas, o mesmo falso moralismo, tudo igual, ano após ano. Tudo igual.

Até que uma leva vá embora brincar de cobra-comendo-cobra, e uma nova entre, tão sem visão, tão sem percepção do que lhes rodeia, massa alienada entrando na massa alienante, você já foi um deles, qual é o problema?

Aquele mesmo calor infernal, as mesmas gafes invisíveis que todo mundo vê, as mesmas desavenças, era tudo tão atipicamente normal que diante de toda essa estranheza ela nem mais se dava ao trabalho de sorrir, não, fingir sorrir, ela apenas sorria para os seus, e os seus também (graças a Mãe) estavam ali. Tão inocentes e perceptivos, ela não poderia ser amiga de ninguém diferente.

Então ela os via aos poucos; um aqui, outro ali e sua alma começava a sair aos pouquinhos, para dar um “oi”, um sorriso e depois se esconder, ela não tinha tempo a perder fazendo algum tipo de social, já perdera tempo demais.

E mais que isso, sabia exatamente com quem deveria ser (o mais próximo) ela mesma, afinal, ali deveria ser como sua casa, não? Não. Não mais. Ela sabia que não era mais a mesma coisa, apesar de ser o mesmo lugar, ela sentia falta de algumas vozes, alguns perfumes, algumas risadas, ela vira tanta coisa se construir ali, coisas perdidas, amizades construídas, vivências compartilhadas. Jamais serão esquecidas.

Então a nostalgia tomava conta, era inevitável, apesar de toda a empolgação dos que ficaram, de sua própria empolgação, ela só queria sair dali, ir embora, encontrar um lugar que possa chamar de casa, chega uma hora que é a única coisa que se quer, não?

Então todos entram de volta no ônibus, tão cansados, embora ainda se escute risos e gritinhos histéricos, e ainda se sinta vontade de andar com metralhadoras portáteis, mas não importa, o crepusculo presenteia seu inicio de noite perdido em uma viagem diária totalmente impessoal e indesejada, mas seu olhar está distante demais para fazer qualquer queixa, ouvir qualquer som.

E de seus pensamentos somente ela era dona, só ela sabia o que lhe supria, e o que lhe fazia falta, como só ela também sabia o custo de ali estar e o pouco que faltava, e o quanto esse pouco se tornava interminável a cada sol escaldante do meio dia e cada lua que se escondia em nuvens tão negras quanto seus olhos nas noites, nas noites em que todos repousam a sono solto, cheios de esperanças e medos que são apenas seus.

E a noite continua tão fria como deveria ser. 

Não que seja algo explicável, não estou aqui para me explicar, estou aqui, sim para agradecer, para brindar a vida, para brindar momentos como estes e a certeza de que as coisas irão melhorar ainda mais, este é um daqueles momentos que você para consigo mesma e sorri, sorri por ter orgulho de quem se tornou, e das construções que fez em sua vida, em sua alma, na construção de outras pessoas que de certa forma você contribuiu, é um daqueles momentos que você sorri simplesmente por estar vivo, e nossa, como essa sensação é gostosa!

E melhor ainda é a certeza que momentos como esse te dão: é apenas o começo! 

Poderia ter sido qualquer outro casal, em qualquer outra ocasião, mas o acaso transformou isto em destino. No nosso destino.




Eu queria escrever aqui, escrever agora que a noite chegou e meu coração continua batendo tão forte, que continuo pensando em você. Eu queria falar do que me invadiu a mente enquanto eu caminhava para casa. Quando me via em outra casa. A nossa casa.

Me via andando sem tropeçar em um fino salto, com roupas não muito sofisticadas, porém elegantes, voltando de uma délicatesse com uma torta de morango bem embalada na mão, com a outra aperto o controle e destravo o carro, escuto boa música no caminho até nossa casa.

Quanto mais nos aproximamos do nosso lar, mais forte nosso coração bate nosso coração. É assim que as coisas são; no meu caso, minha casa é o seu coração; ele é meu lar.

Chego em casa com pressa, deixo a torta sobre a mesa, vou tomar um bom banho quente, relaxada e despreocupada, e ao mesmo tempo ansiosa. Sinto falta do meu lar. Mas, diferente de anos atrás, a falta demora pouco tempo, tempo bastante para que eu possa esperar.

Ponho um baby doll gostoso de seda, leve e confortável, como eu gosto, vejo algo no jornal da TV sem prestar atenção, checo e-mails enquanto tomo chocolate gelado, gasto tempo suficiente para relaxar e esperar o som mais importante do dia: você abrindo o portão.

Corro para a sala e te recebo com meu melhor e mais sincero sorriso, meu coração bate forte e feliz, te recebo também com meu melhor beijo, nem te dou tempo de guardar suas coisas, tudo é jogado de qualquer jeito no sofá, até seu notebook e aqueles papéis que não podem ser amassados.

Mas, logo você se rende ao beijo, não demora muito para eu sentir suas mãos tocando meu corpo por cima da roupa de seda, “a gente corre pra se esconder e se amar, se amar, até o fim”.

Depois dos beijos e de estamos deitadas no sofá eu te falo do meu dia enquanto ajeito seu cabelo que teima em cair em seu rosto, porque seu lindo corpo está em cima do meu, bem encaixado, do jeito que deve ficar, você sorri e me ouve com atenção enquanto te cubro de beijos, então, você me fala do seu dia, e também reclama um pouco dele, eu reclamo da falta de tempo e de todos os livros que sempre tenho que ler.

Ouço-te mais um pouco enquanto faço massagem em seus pés e costas, tiro sua blusa e te beijo enquanto você tenta me dizer que quer tomar banho, e me pede para esperar e eu não quero, eu nunca quero, como uma criança, eu quero sempre tudo e tudo na hora, mas, você, também como criança sempre precisa de desdizer, então espero pacientemente, você sempre vence.

Enquanto escuto a água caindo forte do chuveiro, preparo nosso jantar que faço com tanto amor que não tem como ficar ruim, você surge na cozinha com a discrição de um gatuno e me beija por trás, sinto um conhecido arrepio por baixo da seda que roça no teu baby doll.

Jantamos sem pressa enquanto te escuto falar, sempre foi um dos meus hobbies favoritos do mundo todo.

Quando tudo é silêncio te busco em seu computador, não te deixando escrever seus e-mails importantes, sento em suas pernas e te beijo até você não conseguir mais e fazer o que eu queria que tivesse feito desde que cruzou a porta para dentro de casa.

Você me leva até a cama, mesmo eu dizendo que você vai me derrubar, eu sempre digo que você não vai me agüentar, mas, poucas coisas no mundo me fazem me sentir mais mulher do que ser carregada em teu colo enquanto te beijo com vontade, você me deita na cama e fazemos amor uma, duas, três, quatro, quantas vezes quisermos, ou então, nem isso; ficamos deitadas vendo algum filme enquanto trocamos beijos e acabamos fazendo amor no meio dele, é quase inevitável.

Talvez pelo fato de adorarmos fazer amor, ou talvez porque teu corpo me instiga de uma forma que tenho que me concentrar muito para não procurá-lo, mas, ainda assim, me sinto a mulher mais feliz do mundo por apenas ficar deitada com você, fazendo carinho e dando beijinho, contando histórias e lembranças como se o universo inteiro coubesse em um quarto, e o calor que eu preciso se encontrasse todo em teu abraço.

Então eu me lembro da torta e te falo o quanto eu gosto de doces e ajo como uma criança, e você diz que isso te assusta, mas, nunca o suficiente para você ficar longe de mim, eu falo que te amo e o quanto isso é importe para mim, você diz que me ama e me faz as mesmas promessas de anos atrás, e eu, sorrindo direi que nunca deixarei de cumprir nenhuma, mesmo que durante um tempo tivesse medo, sempre fui fiel a elas e com amor e orgulho no peito digo que eu quero cumpri-las pelo resto da vida.

Eu vou pensar em coisas tristes que me assombraram por tempo suficiente para esquecer e perceber que nós superamos todos os medos e você nem vai notar o medo em meu olhar quando eu tocar seu rosto e sussurrar aos deuses “obrigada”, eu vou te dar meu milésimo beijo do dia vou dormir recostada em seu peito; de mãos dadas com você, como a tantos anos, quando eu só tinha esperanças.

Vou dormir com você, com amor e certezas. 

The Lucky Ones this time.




        “Meu Deus! Já é dia primeiro!” – pensa a menina atordoada tendo que acordar mais cedo que gostaria, e mais tarde do que deveria, de um modo geral ela sempre está atrasada, são tantos compromissos, tantas exigências, tantos deveres para uma menina… É, apenas uma menina tão jovem e cheia de coisas a se viver; com uma grande bagagem de lembranças, e o tempo sempre voava em uma velocidade que ela mal era capaz de perceber.

Levanta-se ainda atordoada, acha uma chinela e põe no pé enquanto esfrega os olhos para melhorar o foco e achar o segundo par, depois de alguns segundos localiza e para. Para e respira. Respira e pensa. Pensa e fala abafadamente de forma que somente ela possa escutar:

            – Eu sinto a falta dela!

            Era uma reclamação diária e costumeira, em verdade, ela sentia falta “dela” todos os dias, porém dessa vez era diferente, já é dia primeiro, o início de outro mês, mês que deixa para trás os dias quase ininterruptos em que elas passaram juntas.

            Apesar dos eventuais problemas, elas passavam dias tão tranqüilos e gostosos, dias de partilhas, conhecimentos, reconhecimentos, sorrisos, abraços, corações palpitando. É aquele tipo de coisa que você espera que aconteça, mas, que de alguma forma sempre te surpreende o suficiente para você dizer a si mesma todos os dias “Deus, eu quero isso para mim, eu quero para sempre!”. O que ela sabe ser impossível, afinal, era apenas uma reles mortal. Um ser com início e fim, com desejos eternos e que queria amar para sempre, romântica demais para os dias atuais, sonhadora demais para o mundo em que vive.

            Mas, era dessa forma que ela sabia viver, não havia outro, e de alguma forma ela sabia que isso encantava a menina, e a forma que a menina sonha de pés no chão a encantava de uma forma que ela não poderia explicar, na verdade, havia muita coisa sobre as duas que dispensava qualquer tentativa de entendimento.

            Não havia explicação também para essa sensação de estar sonhando cada vez que a via, que sentia seu calor, precisando levar um beliscão para quase acreditar que estava realmente acontecendo, “ela está aqui comigo” ela dizia enquanto via a sua linda menina dormindo, não poderia haver melhor definição de perfeição, ela não sabia explicar, era como ter algo de extrema importância ali, ao seu lado e simplesmente não saber como cuidar, mas querer muito. Era como sentir mais vontade, em um momento, de fazer alguém feliz do que jamais havia sentido na vida, antes dela. ”Antes dela, como era isso mesmo? Eu não consigo lembrar!” talvez não quisesse, mas isso também não importava.

            Importava sim o magnetismo de seus corpos, como eles se procuravam, se encontravam e se encaixavam na penumbra, o gosto de sua boca, o quanto ela gostava quando a menina encaixava os dedos na sua nuca e puxava seu cabelo com força, a forma que ela a olhava, a forma como se sentia e fazia se sentir.

            Era tudo tão exato, tão real, e o tempo simplesmente insistia em passar, mesmo que elas o ignorassem enquanto caminhavam pelas ruas de mãos dadas sem dar importância para os olhares dos outros, “que olhares? Só consigo enxergar um par de lindos olhos em minha frente, eles que importam”, como era bom conversar, rir, até ficar calada ao lado dela, foram dias tão intensos, tão bons. Ela não achava que seria demais pedir mais dias como esses, ela acha que pode ter mais, e que nisso de ter mais, ela pode fazer a linda menina de seus sonhos, o amor de sua vida feliz, então, porque se contentar com pouco quando se pode querer ter uma vida?

            Planos para o futuro, planos para quando não se precise esperar semanas até vê-la e sim horas, horas até o fim do dia, para recebê-la com um lindo sorriso, olhos brilhantes e batimentos acelerados, para dar-lhe um beijo, olhar em seus olhos e pensar: “finally, you and me are the lucky ones this time.”

          Ela finalmente sai de sua cama para mais um dia longe de quem queria, outra cidade, outros horizontes, mas ela sabe o que quer, ela sabe o porque quer, haviam coisas a concertar e coisas a solidificar, havia tanta coisa, é um caminho longo, este que nos leva próximos o suficiente da felicidade, era um caminho de profunda e constante luta e sonhos… Os sonhos são tão indispensáveis a essa altura da vida, ao menos ela acredita que sim. É imperativo sonhar e lutar pelos seus olhos, com suas próprias mãos, e ela fará isso em cada dia de sua vida até que possa finalmente olhar para o lado e sorrir de alma e coração, ela sabe o que é sentir isso.

 

    Bem, e quem seria eu?
    Sou uma garota, a mesma de sempre, porém nunca igual, continuo gostando da maioria das coisas que sempre gostei, tendo a maioria dos amigos que eu sempre tive, com os mesmos ideais falhos, com a mesma falsa coragem, com as mesmas dores, com os mesmos medos, sempre esperando menos do que recebo para parecer bem, sempre tentando ser melhor, still the same.
    Ainda continuo ouvindo Taylor Swift apaixonadamente, ainda cantando minha vida como se fosse um repertório de um musical bolliwoondyano, ainda jogando videogame, ainda sorrindo pra o mundo, ainda enganando todo mundo, afinal, o que a gente mostra é o que conta, não é? E o que conta mesmo é ser forte o suficiente para ninguém precisar se preocupar demais com você, porque, na verdade ninguém dá a mínima mesmo.
    Ainda com as mesmas manhas e manias, ainda sonhando e sorrindo mais do que deveria, ainda desligada, ainda tão menina, querendo ser tão mulher.
    Ainda tão frágil que me machuco com besteiras, ainda me dói coisas já sabidas, eu e minha maldita mania de achar que as coisas podem melhorar! Ainda precisando desesperadamente de uma dose de realismo que não seja acompanhada de um três litros e meio de lágimas! Mas não me julguem, isso provem de uma alma de artista frustrado, algo como carma de alguma vida anterior, que ficou em alguma taberna morrendo por coma alcoólico (do álcool que nunca gostei de tomar) ou aquela velha tuberculose (vinda, talvez, das gripes anuais mal curadas), ou de algum drama que precisava de um ato final a altura da atriz que nunca consegui ser.
    Ainda sentindo falta de pessoas, ainda me decepcionando com as pessoas, ainda amando pessoas, ainda não gostando de pessoas, ainda me sentindo estranha a tudo e qualquer coisa, ainda achando que não encontrei – e provavelmente – nunca encontrarei meu lugar, se é que ele está nesse mundo.
    Ainda amando desenfreadamente, ainda correndo os riscos, ainda errando bestialmente, ainda querendo concertar, ainda esperando ansiosa por aquele caminhão na encruzilhada que nunca chega para me acertar, ainda tão menina pra saber lidar com as coisas da vida, mas tão mulher pra saber a importância de sentir cada uma delas.
    Ainda escrevendo sobre a vida, sobre o real, o surreal, o idealístico, o amor, o desamor, a dor, o rancor, ainda dando risada de alguns idiotas, ainda me perguntando porque algumas pessoas saíram de minha vida ou porque algumas entraram, dando graças aos céus por algumas terem permanecido, ainda querendo conhecer mais sobre essa força que nos move, ainda querendo descobrir a verdadeira força dela, da minha verdadeira força, ainda achando que o melhor estar por vir, entendendo na maioria das vezes que as coisas comigo tendem a não darem certo mesmo, sou um desastre ambulante e a minha pior inimiga, e a única redentora de meus pecados, sendo eu também a única com propriedade suficiente para me julgar e me perdoar.
    Ainda chorando que nem criança, querendo fortemente voltar a ser criança, ainda olhando pra esses serzinhos barulhento e pensando ‘darlin, don’t never grow up!’ a vida é para eles é tão mais fácil, porque temos que crescer e complicar tudo? As vezes só sinto falta de um pouco de simplicidade.
    As vezes acho já vi tudo que precisava ver, que sei da vida mais do que qualquer outra mulher de 23 anos ousaria saber, freqüentemente vejo que estou errada, mas isso ainda me faz mais madura do que muita balzaquiana que tem por ai! Ainda sou compromissada com o que quero de verdade, ainda sou teimosa, no pior e melhor da palavra, ainda acho tudo divertido, ainda me sinto tão deslocada como um shinigami no mundo dos humanos, a verdade é que eu ainda estou aprendendo a sentir, e ainda sou a pessoa mais platônica que posso um dia conhecer.
    Acho, as vezes, que nunca vou sentir nada de verdade, as vezes acho sou uma grande piada, as vezes acho que sou um poço de benevolência, as vezes, uma foça de egoismo, as vezes acho que ninguém, por mais que diga o contrário me conhece de verdade, porque, nem eu mesma sou capaz de me conhecer, eu sou várias, certo? E elas vivem lutando dentro de mim, uma guerra interna sem fim e sem lógica, qual dessas meninas vai dominar no fim? Eu não sei! Até hoje eu só acho! Mas sei que tudo isso é viver, com as dúvidas, conflitos, incertezas, inseguranças, dramas, não importa, eu posso estar mentindo para mim mesma ao dizer qualquer coisa, porque, o que eu sei de verdade então? A úncia coisa que sei é que nasci para morrer, e uma vida só não é o suficiente para toda a complexidade de uma alma, mas estamos aqui para aprender.
    Esta sou eu, sincera o suficiente para estar mentindo.

Haviam algumas coisas que ela temia pensar, quiçá escrever.





Das coisas que mais a incomodava, o medo era a constante que ela menos queria lidar. Medo de ter, medo de perder, medo de não ser o suficiente, medo de sonhar demais, dava medo até de ser feliz, às vezes. Ela já ouvira que só sentimos medo pelas coisas que realmente nos importa, mas, tem que ser sempre assim? 




   Tudo estava num absoluto silêncio, embora pudesse ser rompido a qualquer momento. Sobre a cama estavam dois lindos corpos desnudos, deitados um ao lado do outro da forma mais despojada que poderiam estar. Estavam cansadas e contentes o suficiente para permanecerem em silêncio profundo, ao menos por algum tempo. Apenas a linguagem de seus corpos era permitida naquele momento que, privado de qualquer preocupação, preenchia magicamente aquele quarto.
    Aos poucos as mãos de uma iam se movendo em direção às costas da outra, o toque era retribuído com um leve arrepio. O corpo sempre sabe a hora exata de recomeçar, a hora de voltar à sua essência, àquilo que se gosta de fazer. Aparentemente o corpo de uma não parecia se satisfazer tão facilmente, enquanto o outro era quem o guiava pelos caminhos do desejo, tão sábio, tão potente… Sabia exatamente onde se tocar, e com uma certeza absoluta sabia que seria correspondido, com exito, com a mais sublime excitação.
    Eram corpos distintos nos volumes, e ainda que fossem do mesmo gênero, sabiam perfeitamente o prazer que uma poderia proporcionar a outra. Era delicioso estar entre aquelas pernas, debruçada e entregue àquela doçura desnorteadora que lhe melava os lábios. Sucumbir totalmente ao desejo e ao toque daquela língua, estar tão entregue àquelas mãos que nada mais importasse… Língua e mãos se uniam naquela dança e sabiam exatamente como agir, como fazer, o porque fazer… As mentes se desprendiam dos pudores quando se tratava uma da outra, e daquele momento no qual elas se encontravam e no qual se concentravam com afinco: lambuzar-se num prazer, beber o néctar sublime do desejo, satisfazendo-se em apenas satisfazer e sentindo prazer das formas mais inimagináveis.

Mas, vou lutar pelo meu “felizes para sempre”.

A cada dia que passa vejo mais presente a necessidade de crescer, de tomar rédias de minha vida, de ser minha o suficiente para me manter, de ter as minhas coisas, de ter a minha rotina, fazer da minha vida mais minha do que ela sempre foi. 
Você me faz perceber em poucos dias que uma vida é muito pouco para tanto sentimento, para tudo que ainda posso ser. De alguma forma, você me ajuda a crescer. 

Eu gosto de andar pelo mundo,




de andar pela vida, caminhar por ruas que não sei o nome, com segurança o suficiente para seguir em frente, mas ainda com aquele pequeno medo no fundo do peito me perder, sabendo que esse medo não é o suficiente para me fazer parar, gosto, da forma como o mundo gira a meu redor, as vezes ele parece em profundo colapso, mas quando percebo, ele já está majestosamente em paz, como se cada poeirinha que voa pelo ar estivesse em seu lugar certo, como se as descobertas desenfreadas esperassem o momento certo para sair do oculto, do inimaginável, do que sei, do que não sei.

Gosto do dia branco que me brindou pela manhã, gosto das possibilidades que tudo o que gira a meu redor me proporciona, gosto de ter uma noção do tudo que ainda posso ter, que posso ser, que posso, eu posso, como é bom saber o que eu posso!

Gosto da segurança que a maturidade me deu, segurança essa inexistente na menina que fui outrora, mas, que carrego comigo no melhor de mim, dentro desta menina mulher que me tornei, gosto da forma que flerto com o perigo e acho graça de situações que deveriam apavorar as pessoas, as normas, os valores, que, quando você para realmente para pensar, não possuem valor algum.

Gosto de entrar num ônibus sozinha, caminhar como se eu fosse daqui, pensar nas coisas que tenho que aprender e posso ensinar, gosto da forma como meu coração se tornou mais forte com o tempo, perante o tempo eu vivi, aprendi e cresci, também errei, mas tudo, absolutamente tudo está conectado nesse emaranhado de teias de fatos e possibilidades, e eu gosto de pensar que as possibilidades estão a meu favor.

Eu gosto de andar pelo mundo sabendo que tenho domínio de mim, que sou humana o suficiente para poder sentir com cada batimento cardíaco, até o fim; gosto de sentar e escrever o que eu quero, como é bom poder escrever o que se sente, e o mais importante: como é bom sentir!

Ei! É você!




Eu queria que você entendesse o que eu entendo toda vez que olhos em seus olhos, toda vez que beijo sua boca, toda vez que sinto minha alma emanando paz enquanto meu coração fica tão inquieto a teu lado, o porque da minha voz falhar e eu ter que respirar fundo para não gaguejar, ou porque te olho tanto e fico calada observando, eu queria que você entendesse, com todos meus erros, com todos meus acertos, eu só queria que por um segundo você se visse como eu te vejo, você se sentisse como eu te sinto, aí você entenderia o porque que dentro de mim só existe você. 

Você… Eu… Nós…




Olhos atentos a cada movimento meu, olhos languidos e desejosos.
Mãos que, impiedosamente, buscam as minhas quebrando todas as barreiras que eu construí, penetrando lentamente pele adentro.
Boca que sorri, e que ameaça…

Ameaça com beijos com os quais sonhei, mas que não posso ter.

Corpo que carrega um magnetismo (quase mágico) e que tem efeitos devastadores sobre mim, me atrai de tal forma que às vezes penso não ter mais controle de nada, como se cada gesto meu fosse um sinal verde para você, ou melhor… Um sinal verde pra mim mesma que desconheço todos os limites ao teu lado.

Teu cheiro que não sai, que marca, que desnorteia, que avassaladoramente gruda em mim por horas, dias, semanas… Cheiro esse que vive nítido em minha memória, como se eu mesma tivesse cheiro igual, como se eu o sentisse todos os dias, como se o seu fosse o meu e o meu fosse o nosso.

O Amor, o teu amor por mim que vai além de qualquer lógica, e de qualquer vã explicação. O meu amor por ti que é tão inconstante, tão desconexo, mas que nunca vai embora, nunca me deixa… Que não me permite ser inteira com ninguém, que não seja você e que ao mesmo tempo me lança pra tão longe de ti, por medo ou insegurança ou por essa falta de força que eu sinto quando te tenho por perto.



By: My heart. (esse não é meu!)

Amar é a liberdade de amar, e de deixar amar.

O rock da estupidez




O mundo é muito rápido, o tempo está com pressa, é a lógica da vida, quanto mais é o que interessa.

Pra que perder tempo com coisas banais? Amor verdadeiro? Besteira, quem precisa dessas coisas hoje em dia? Sou mais cair na noite, isso sim me dá alegria, drogas passageiras, sexo sem amor, dor na consciência, quem foi que inventou?

Vamos humilhar os outros, fazer bulling virtual, beber até cair, ficar chapados, beijar o primeiro que ver, tirar foto pra lembrar.

Vamos ter inveja da futilidade, vamos vangloriar aberrações, vamos brincar de quem sente menos, rir de quem tem bom coração.

Hoje em dia quem precisa disso? Quero respirar fumaça de narguile, tomar uma pílula do amor, e depois a do dia seguinte, para no dia seguinte ter o que contar, isto é, se eu me lembrar.

Pra que perder tempo fazendo o bem? Vamos compartilhar misérias no facebook, o bom mesmo é ser cult virtual, sou socialista, uso all star, bebo coca-cola e minha camisa do Chê (de marca famosa) tava no desconto, foi apenas 99,99, me dei bem, hein?

Ontem teve um eclipse lunar, eu juro que vi pelo youtube, com meu irmão? Só falo pelo msn, meus pais eu vejo as vezes, afinal, alguém precisa me bancar, sou quase emancipado, só me falta ter uma vida.

Dizem que ter uma é bom, mas afinal, onde que dá pra comprar? Não encontro no mercadolivre, mas e aí, me vende a sua?

Eu não sou uma pessoa ruim, eu só quero me divertir, eu não sou uma pessoa ruim, eu só quero me divertir.

Já chega, cansei dessa ladainha, agora já posso me matar, afinal está na moda e eu preciso seguir ela, tô beirando os 27.

Mas, no mais, eu não sou igual a todo mundo, só quero que me deixem em paz, agora já posso entrar em depressão, minha vida é uma droga, você nem me cutuca.

No mais tudo continuará igual, afinal, quando essa merda vai mudar?

Ah, é, 2012! O mundo já pode acabar. 
As mudanças devem vir da alma, é por dentro que se constrói alguém totalmente novo.

Na verdade, o que você não percebeu é que eu estava tão boba olhando para você que não consegui ter qualquer ação, era algo tipo ouvir a música ‘Só Agora’ tocando sem parar na minha cabeça e emitir um sorriso tímido nos lábios, nada poderia ser mais bonito e mais puro dentro de mim do que esse momento, nesse momento.
E ele me valeu o ano inteirinho. 

Bem Vindo ao fim do mundo.




Bem, hoje desde que acordei fiquei pensando no que postar aqui, é o ultimo dia de um ano que foi várias coisas pra mim: rápido, lento, bem gasto, mal gasto, uma porcaria, o melhor em algumas coisas, o pior em outras, que vivi coisas que sempre quis e que nunca imaginei, como coisas que se nunca tivessem ocorrido eu estaria até mais feliz, um ano de mudanças, sem dúvidas, mas acima de qualquer outra coisa foi um ano de muita, mais muita aprendizagem.

Esse ano fui a lugares que nunca tinha ido, dei rizadas que nunca consideraria um dia ter dado, aprendi a ser mais minha e mais mulher, mais auto-suficiente até, aprendi que não preciso ser perfeita nem me cobrar tanto, aprendi tanto que nem caberia aqui.

Mas aprendi, aprendi com o tempo, aprendi comigo, aprendi com meus amigos, aprendi com quem eu menos esperava, solidifiquei amizades que surgiram sabe lá Deus como, mas que pretendo levar pro resto da vida, perdi algumas pessoas importantes, algumas que quero ter de volta, outras que sei que apenas precisam ir, aprendi que sou mais capaz do que eu imaginava, e que a gente sempre pode aguentar mais um pouquinho, aprendi que obstinação nunca é demais e que sacrifícios são necessários quando a gente quer algo, do fundo do coração, que a gente é capaz de conseguir, e o melhor, aprendi tudo isso com muito mais sorrisos no rosto do que lágrimas.

Aprendi que a vida é uma festa e é você quem conduz a dança, eu aprendi e sei que aprendi e que mesmo errando pra caramba, eu aprendi, e principalmente aprendi com a Taylor que a felicidade a são lampejos e a vida só vale a pena quando corremos em busca deles, e eu virei uma maratonista!, aprendi em coisas que posso e vou concertar eu ainda posso dizer: minha Deusa, meu Deus, valeu a pena!

E eu sei que o futuro ainda está por vir, e que ele é grande e é todo meu, eu senhora de mim, sabendo que o melhor ainda está por vir, e que daqui a 365 dias eu espero estar aqui falando que tive conquistas bem maiores em 2012 do que tive em 2011.

Bem vindo ao fim do mundo, do mundo como eu o conhecia, agora se inicia outro, e esse novo mundo é admirável o suficiente para eu querer fazer parte dele.

E ainda está apenas por começar.

Feliz nova era para nossas almas renovadas.

É algo tipo segurar meu mundo com as mãos, é assustadoramente bom.

Sem fábulas, esperanças ou sonhos, é apenas eu, eu mesma e meus medos.

O que é o amor?

Amor… Amor é algo bonito, que as vezes as pessoas enfeiam colocando outros sentimentos que não tem nada a ver com amor no meio, amor é respirar, amor é olhar o céu, amor é ver o mundo bonito, mesmo que ele não seja assim, amor é sorrir, amor é sentir todas as partículas do corpo entrando em ebulição, amor é lembrar de momentos bons e sentir falta, e querer outros tantos, amor é querer bem quando perto, amor é querer bem quando não se pode estar perto, amor é liberdade, é você não precisar necessariamente ter alguém pra senti-lo, é você senti-lo bem mais quando esta perto, ou se estar pra chegar, amor é a imensidão de tudo que nos faz mover um centímetro ou mil milhas, amor é você dar um mundo de explicações e não conseguir encontrar nada que defina ele, porque o amor simplesmente é.

Registros do que soube, do que sei, e do que sempre saberei.




Eu te amei aos 9 anos, quando nem ao menos te conhecia, mas secretamente sonhava que um dia eu ia conhecer alguém, um ‘príncipe’ que me faria feliz!

Eu te amei aos 14, quando eu tinha certeza que ia amar alguém o suficiente para me entregar de alma e corpo naquele lugar secreto, lugar que mais gostava do mundo!

Eu te amei aos 18, que eu mau completara, quando vi seu sorrio pela primeira vez!

Eu te amei 19, quando eu e minhas tias te procuravam pelo shopping e eu sentia como se meu coração estivesse ali, em meio a multidão e eu não o encontrasse! Até que eu te vi! E senti meu corpo todo tremer ao te abraçar, feliz!

Eu te amei, ainda aos 19 quando fiquei feito boba te esperando na rodoviária com o coração na boca, e você nunca saia, porque queria ver minha cara te esperando, e quando ti vi senti tudo em mim ebulir, como quando eu tinha 18, como eu queria que fosse aos 9, como eu quase chorei por achar impossível aos 13.

Eu te amei naquela mesma tarde, aos 19, quando te beijei a primeira vez e vi o impossível se tornar possível: eu te amar ainda mais.

Eu te amei por todo o tempo que você esteve aqui, e sorri, eu te amei por todo o tempo que você não esteve e eu chorei, eu te amei até mesmo quando quis com todas as minhas forças te odiar, mas não consegui,  te amei nos momentos mais impróprios e nas horas mais exatas.

Eu te amei aos 20 anos, quando fui a sua casa pela primeira vez e conheci sua família, o seu quarto, quando te olhei dormindo e passava meus dedos a centímetros de seu corpo com todo o cuidado para não te acordar, eu te amei mesmo sabendo que seria a ultima vez que te veria, com a dor e a certeza que nunca mais te beijaria.

Mas eu ainda tinha a esperança, que é maior do que qualquer  certeza.

Eu te amei quando você voltou. E quis não te amar quando você foi embora.

Mas foi inútil.

Eu te amei quando eu precisei de você, eu te amei ainda mais quando eu vi que não precisava de nenhum motivo pra te amar, e mesmo assim a amava!

Eu te amo aos 21 quando você surge quando eu menos espero e eu já estou sorrindo, eu te amo por você me deixar tão feliz que dá vontade de chorar, eu te amo por eu pensar em você e conseguir escrever, desenhar, pensar, SENTIR! eu te amo por tudo que você me faz sentir, pelo muito que aprendi com você, pelas poucas certezas que tenho na vida e por querer compartilhar todas com você!

Eu te amo mais aos 21, e eu vou te amar ainda mais aos 22 e nem ao menos sei como! Mas eu SEI!

Eu vou te amar aos 40 mesmo odiando essa idade, vou estar feliz por olhar pra trás e ver tudo que eu senti, vivi e que sou capaz de muito mais a cada dia! Eu vou te amar por toda a minha vida, em casa segundo, por menor que seja e sem importância, eu vou te amar até quando a gente discutir e não estivermos juntas e eu apenas sentir vontade de dizer que eu te amo e que o resto não importa! Eu vou te amar por tudo isso, e muito mais, ou nem por isso! Mas com absoluta certeza, eu VOU te amar.



A gente é feito das coisas que a gente põe no coração e mantem lá, porque só nós mesmos sabemos de nossa força, sabemos o que tem que durar.

Aqueles velhos vícios que você me ensinou ainda são tão meus, tão seus dentro de mim.



Hoje ficaria feliz com o aconchego de um abraço apertado numa cama quentinha e carinhos em meu rosto e cabelo, poder ouvir música boa e calma sem preocupações até o sono vir. Me trate como uma gata, é tudo que eu quero hoje, juro até miar se você fizer isso por mim hoje.

O coração é o órgão mais confuso do corpo humano.

Sentir é se arriscar.

De um certo modo eu também sou a solidão.



Perto do Deus profano que criou o amor,
Berço da alegria, berço da dor,
Berço de tudo que foi criado num momento de tédio e solidão.

Eu vejo de longe e no fundo eu acho graça.

Je dors sur des roses de la mort - Le ciel bénit tous nos ébats.





A chuva se delonga a passar, o frio toma conta de meu corpo, mas eu prefiro me acostumar com essa sensação: o frio dilacerante é o mais próximo da morte que eu posso ficar, não que eu goste disso, na verdade ela, Claire, ela sim, ela amaria sentir isso, deve estar amando seu atual estado, sempre teve essa fascinação pela morte, adoração por morrer, sempre sentiu prazer pelo proibido, desde pequena quando brincava com as facas da cozinha e minha mãe se assombrava, afinal de contas, ela só tinha oito anos, isso não poderia ser normal, mas, o que é normal? Ele, Tomas, como eu, não via graça em morrer, era um cético incontestável, repudiava todo tipo de adoração, na verdade acho que ele adorava não adorar, o que será que ele descobriu? Será que estava certo quando dizia que o céu não existia, que apenas iriamos virar carne podre e alimento para seres asquerosos que em vida tendíamos a repudiar? Eu quero muito descobrir, mas não poderei fazê-lo, ainda não.

Devo algumas explicações para meus pais, meus queridos e inocentes pais sempre tão preocupados com a conduta um tanto estranha de seus lindos filhos, eram tão diferentes de todos os outros, e eles só queriam que fossem iguais, será que agora estão aliviados? Demonstram tanto ódio que mal posso enxergar a dor, mas devem senti-lo, devem também achar que sou a única ‘sã de seus filhos, ora, a linda menina era obcecada pela morte, o belo rapaz era gótico e ateu – o que chega a ser um sacrilégio dentro desta casa – porem, acredito que para eles nada pode ser mais profano do que o que cometeram, a poucas horas atrás, no quarto ao lado. Enquanto a mim? Bem, não sou melhor nem pior que meus irmãos, a diferença é que eles foram antes de mim, em verdade sinto-me até angustiada, não queria ter ficado para trás, os amava o bastante para ir com eles. Essa era a minha obsessão: amá-los, o que era muito natural para mim, eles me pertenciam, o que eu não sabia é que eles achavam que se pertenciam, então, logo não sei no que devo acreditar, devo acreditar em Clarie que adorava tanto a morte que dizia que nos encontraríamos outrora em outro plano ou em Tomas que dizia que tudo acabava com a morte? Ah, que minha gentil irmã esteja certa, não quero viver, ou morrer sem eles, eles são meus e por serem meus são parte de mim. Devo deixar claro isso, dar um pouco de paz para meus pais, em alguma coisa eles precisarão acreditar para seguir em frente, seja no ódio, na incompreensão ou no perdão. Mas, para isso preciso contar algumas coisas, coisas que nunca foram ditas, os doces segredos que nos juntavam, que nos unia, e eles deveriam saber, ma mémoire, mon hisoire sans égard, mon passé que tu enterre.

Conheço Clarie e Tomas desde o dia de seu nascimento, a exatamente dezesseis anos atrás, até eu entrar na faculdade nunca tínhamos nos separado, nem quando fomos mandados para o colégio interno, Clarie dormia em minha cama calmamente enquanto eu enrolava meu dedo em seu sedoso cabelo fazendo cachos, que nunca duravam, eu acariciava seu rosto e velava seu sono, le sourire qui s’allume le regard qui s’embrume et tu t’en vas danser au ciel tu m’apaises Tu me mens puis tu glisse doucement vers le plus beau des sommeil. Eram noites tranquilas e inquietantes, de profunda espera, Tomas sempre encontrava um jeito de pernoitar em minha cama também, e eu recebia meu irmão com a mesma alegria que recebia Clarie, minha cama era pequena, mas era grande o suficiente para caber os três, contávamos estórias até adormecer em voz baixa, não podíamos fazer muito barulho e Tomas tinha que sair bem cedo e voltar para seu quarto para não sermos pegos, isso durou muito tempo e era divertido e aconchegante desde sempre, eles eram meus, eu cuidava deles como se fossem – assim como realmente eram – as coisas mais importantes de minha vida, e esse cuidado e proteção durou toda sua “conturbada” infância, como diziam as freiras da escola que nunca entenderam o porque de Clarie sempre após as orações parava atônica diante a grande cruz com Jesus morto no corredor e observá-lo, em seus olhos eu poderia vê-la sentir o sangue dele escorrendo e isso a fazia sorrir, o que obviamente assustava quase todas as outras crianças, Tomas olhava com desdém, o que era de se esperar, ele olhava assim para quase tudo, menos para Clarie, menos para mim, desde bem pequeno eu poderia ver seus olhos me observando, com a mesma admiração que Claire olhava para aquela cruz, ambos tinham secretamente suas preferencias, e eu, claro, tinha as minhas, l’amant au firmament.

Eram considerados estranhos, cada um de sua forma, eram tão diferentes apesar de esteticamente quase iguais, seus olhos azuis profundos e cabelo negro, pele alva como a neve, eram gêmeos, nada mais comum se parecerem, mas, suas personalidades de fato era um contraste.

Eu era a protetora, dois anos mais velha que eles, tive que aprender tudo sozinha, eles não precisavam disso, eles tinham a mim; se tratando de sua adolescência e seus hormônios não foi diferente. Primeiro Clarie, ela sempre foi a mais precoce, ela sempre adivinhava o que eu queria mesmo que eu não dissesse nada, como poderia esquecer daquela tarde de verão?

Estávamos de férias na casa de campo de nossos pais que tinham ido a uma corrida de cavalos, que eu e meus irmãos detestavam, Tomas estava muito ocupado aquele dia para tomar banho com suas irmãs, dizia ele, achava importante aprofundar suas leituras em George Orwell e Nietzsche, mas eu sempre achei que ele estava mesmo com vergonha, nos evitava naquela época, devia ser confuso ser o único homem da casa – papai viajava demais, e nas férias quase nunca o víamos, sempre estava em algum evento com mamãe, ele era embaixador – para eu e Clarie as coisas fluíam bem mais facilmente, era absolutamente normal ver nossos corpos mudando, como também nossos sentimentos.

Dividíamos a banheira da suíte do quarto de nossos pais como fizemos tantas outras vezes, eu escovava as costas de Claire, que me explicava pacientemente todos os estágios que alguém que fosse enforcado passaria, até perder os sentidos, caso seu pescoço não quebrasse com o impacto; para ela era a coisa mais interessante do mundo, eu tinha meus próprios interesses, simplesmente não conseguia olhar para mais nada a não ser a silhueta, aquela pele alvinha com as pequenas gotas de água escorrendo, eu a cariciava sem prestar atenção em nada, afastei seu cabelo que caia por seus ombros e sem ao menos pensar beijei sua nuca, o que não assustou Clarie; ela voltou-se a mim e me olhou com aquele par de olhos profundos, em seguida saiu da banheira, meu coração apenas batia, ela era tão imprevisível… Tanto que continuou me olhando, suspirou duas vezes e estendeu a mão para mim, eu segurei sua mão e ela me guiou até a cama de nossos pais, sem nem ao menos secar o corpo ou o cabelo, me guiou até a cama e me guiou até as nuvens, foi assim a primeira vez que fizemos amor, intenso, delicioso, natural, une symphonie de soupirs que nos corps s’harmonisent in concupiscence, dans des mouvements saccadés, le sexe des anges.

Nossos corpos nos guiaram e soubemos bem o que fazer, deitamos um tanto quanto cansadas e caladas, embora não estivéssemos com vergonha alguma, apenas queríamos respeitar aquele momento, ele era um tanto quanto místico.

Nossa paz só acabou com os momentos de tensão que precederam a porta que abriu com violência, imaginamos que eram nossos pais, era o quarto deles, mas para nossa surpresas era Tomas que ofegava forte, deve ter nos procurado pela casa inteira, ele mantinha a respiração enquanto nos olhava pasmo, suas lindas irmãs nuas e deitadas na cama de nossos pais não era exatamente a cena que ele esperava ver, nossos cabelos se entrelaçavam em harmonia, o negro dos cabelos de Clarie, o dourado dos meus, tudo tão simetricamente perfeito, enquanto nossos corpos não queriam se largar, o corpo dela sobre o meu corpo e minhas mãos a deslizar sobre o dela não conseguiram se mover após ver a porta abrindo, apenas nossos corações aceleravam, mas mantiveram a calma quando vimos Tomas, o medo seguidamente deu lugar a curiosidade.

Ele fechou a porta vagarosamente e se recostou nela, continuo a nos olhar, como um gato mirando a preza, eu continuava lá, inerte, Clarie foi a primeira a se mexer, sentou-se na cama e puxou-me para fazer o mesmo, sentei e continuei calada, ela ergueu-se, deu-me um beijo e foi até Tomas, o abraçou e falou algo inaudível para ele, foi para trás dele e começou a despi-lo ainda falando algo para ele, tirou sua calça e cueca de uma só vez, então o empurrou em direção a cama, eles se olharam por um momento, concordaram com a cabeça sem dizer nada naquele momento, então, ele veio até mim, completamente excitado, tremendo de nervoso, beijou-me o seio com violência, Clarie beijou-me a nuca, mas logo foi a procura de Tomas, ela queria recompensá-lo por termos deixado-o fora de nossa brincadeira anterior, embora tenha sido completamente divertido para os três, foi a primeira vez de Tomas e nosso primeiro ménage à trois, completamente sublime, nossos corpos se prepararam durante dezesseis anos para isso. Mais d’où vient l’émotion étrange qui me fascine? Je m’enivre de ce poison á en perdre la raison. C’est le bien qui fait mal, quand tu aimes tout à fait normal. Succombe au charme, Prend le plaisir.

Tudo era muito natural para nós três, inclusive o prazer, passávamos horas explorando nossos corpos em busca de segredos não conhecíamos, eramos muito jovens, eu acabara de receber o resultado exitoso do exame de uma importante universidade, medicina, é claro, eu era inteligente o suficiente para isso, embora a ideia não me agradasse em nada, não queria me despedir de meus amados irmãos, não agora, não poderia deixá-los, enlouqueceria longe deles, – pela primeira vez – eles pensavam da mesma forma, então só queríamos desfrutar de nossas presenças o quanto podíamos, cada minuto a sós era precioso demais, eu precisava de alguma forma tê-los só para mim, eram minha fonte de vida J’adore l’avoir dans la peau, envoûté par des idées folles, soudain mes envies s’envolent, le désir devient ma prison à en perdre la raison.

Clarie nunca deixava Tomas de fora de nossas brincadeiras secretas, como queria que ela tivesse feito o mesmo comigo em sua travessura final.

Mas as férias passaram mais rápido do que gostaríamos e logo meus irmãos estavam sendo deixados no internato e eu indo para a universidade de medicina da Costa Oeste, eu tentava me acalmar a todo custo, só teria que aguentar seis meses longe de meus amados irmãos, eles prometeram se cuidar e me ligar, mandar cartas, não me deixariam sozinha naquele lugar estranho, nunca me deixariam sozinha.

O que não aconteceu. Seis meses depois eu simplesmente só pensava nos meus dois amores, em como estariam destroçados, era o que sempre mencionavam nas cartas que chegavam toda semana, mas ao correr do tempo a frequência das mesmas foi diminuindo, o que era compreensivo pelo desgaste do tempo, eu bem sabia do rigor do colégio interno, como também estava sofrendo com a complexidade do curso de medicina, não tinha tempo para pensar em nada que não fosse estudo e neles, em como eles estavam, e ficava bolando justificativas para eles nem ao menos terem forças para me escrever cartas, eu realmente entendia, eu não tinha tal força, porque eles teriam? Clarie sempre tão sozinha por seus gostos pela morte e sua declarada vontade de montar uma coleção de facas e armas de fogo, Tomas chocando as freiras que insistiam em tentar evangelizar aquele ateu de coração, elas não o deixavam em paz, mas também não queriam abandonar a “ovelha desgarrada” como elas mesmo falavam, eram tão frágeis sob suas cascas de muralhas humanas, como estariam sem a minha proteção?

Muito bem, como eu pude constatar no dia em que voltei para casa.

Clarie e Tomas estavam mais ligados do que nunca, e nem ao menos faziam questão de disfarçar, até meus pais percebiam como sua “ligação” tivera ficado forte na minha ausência, meus pais até vieram conversar comigo o quanto isso os estava assustando, argumentaram que tinham medo de falar diretamente com eles, Clarie estava com o olhar cada vez mais vazio e começara a comprar livros sobre suicídio e mortes indolores, Tomas agia agressivamente com todos que tentavam falar algo, nem que fosse para o bem de Clarie, eles dormiam no quarto dele, as empregadas fugiram de casa ao ver os dois dividindo a cama como um casal, o quarto de Tomas que agora era totalmente negro e iluminado por velas, antigamente ele não tinha um quarto tão macabro, os empregados diziam que eles estavam possuídos por algum demônio, entre outras informações que meus pais faziam questão de ocultar, essas informações foram jogadas sobre mim com muita violência, eu nem ao menos imaginava que tudo aquilo estava acontecendo, foi a primeira vez que eles me deixaram para trás, mas essa seria só a primeira surpresa da noite.

Falei a meus pais que tentaria conversar com eles, embora meu pai tivessem me alertado que a muito eles não abriam a porta do quarto, mamãe só chorava e perguntava o que tinha feito de tão ruim para merecer isso. Seis meses foram o suficiente para meu mundo desabar e eu nem imaginava isso, como fui idiota, como fui! Eu deveria saber, eu achei que os conhecia melhor que isso, que eles me amavam mais que isso.

Bati a porta, mas ninguém respondeu, eu prendi o choro desde que cheguei, mas naquele momento não consegui conter, encostrei a cabeça na porta e chorei, para minha surpresa Tomas abriu a porta e me abraçou, senti que ele precisava do consolo que o dava na infância, sentia seu desespero, embora contido, ele sempre fez questão de conter suas emoções, mas não sabia o porque, ele argumentou que não sabia o que fazer, que precisava de mim, Clarie estava grávida e nossos pais sabiam deles e nunca iriam permitir algo assim, me perguntou o que fazer, me pediu, mais uma vez proteção, sempre fui a mais inteligente de nós três, Clarie era a mais dissimulada, mas estava quieta e com o olhar distante, pediu-me para abraçá-la e o fiz, ela disse que queria morrer, que achava que a hora que esperou a vida inteira estava chegando, Tomas não dizia nada, acho que no fundo concordava.

Eu era egoísta em demasiado, não podia suportar que eles tenham passado seis meses tão bem sem mim, que estavam dividindo algo que era só deles e não meu, que eles eram mais deles do que meus, eu os amava, eu os amava tanto, eles simplesmente agiram como se eu não fosse ninguém, ou melhor, como se fosse aquela que iria apoiá-los, eles sabiam do meu amor incondicional, eu poderia estar sendo muito egoísta e ciumenta, mas duvidei do amor deles nesse momento para comigo, eu senti ódio de Tomas por ter possuído Clarie de uma forma que eu nunca poderia fazer, que tinha algo dentro dela que era só dele, eu senti ódio de Clarie por ter enfeitiçado Tomas, por ele olhar para ela de um jeito que ele apenas olhava para mim, eu odiei, eu odiei as pessoas mais importantes do mundo para mim, os únicos que me importavam. Não consegui olhar para eles, não consegui fazer nada, sai dali, deixando para trás os apelos de Clarie e a passividade de Tomas, certamente ficaram em choque por não me terem naquele momento, fui dormir inerte em pensamentos e sentimentos ruins que nunca tivera sentido antes, dormi sozinha naquela casa, como nunca tivera feito antes. Je dors sur les roses qui signent ma croix la douleur s’impose mais je n’ose pas manquer de toi dans mes nuits dans la pluie dans les rires dans le pire de ma vie.

Foi naquela noite que tudo aconteceu, despertei com meu pai me sacudindo, dizendo que tinha acontecido uma tragédia, disse que Clarie matou Tomas e depois cortou o próprio pescoço, papai falava como que para si mesmo, para tentar entender enquanto se afastava de mim, sentava na cadeira e afundava a cabeça entre as mãos, sai dali, com a frieza que tivera aprendido com Tomas, caminhei até o escritório de meu pai e sentei-me, e então conhecei a transferir para o papel esse escrito, a minha narrativa dos fatos, o meu segredo que era de nós três.

Papai, o senhor tinha certeza que em algum momento Clarie faria isso, mas era fraco o suficiente para não fazer nada, é mais fácil jogar a culpa em sua filha emocionalmente vulnerável, não? J’accuse mon père, mamãe, a senhora preferia fechar os olhos e fingir que nada acontecia, porque não admitia escândalos em sua família, não? Sempre achou que Tomas era satanista, embora ele nunca tenha pendido para esse lado e olhava torto para ele, J’accuse ma mère. Meus gentis pais, sempre com suas conclusões tão óbvias em suas mentes e nenhuma ação. Vocês querem mesmo saber o que aconteceu?

Eu voltei para o quarto aquela noite, Tomas estava dormindo como um anjo, Clarie estava em pé com uma de suas adagas (escondia várias em seu quarto, deve ter pego uma delas e levado ao quarto de Tomas) ela apontava para ele, mas ficara ali olhando-o, seus olhos, como posso esquecer? Tinha mais amor por ele do que pela morte, ela não conseguiria fazê-lo, mais uma vez iria me deixar para trás, ela poderia mudar tudo isso, tomar um rumo de sua vida, ter responsabilidades depois de dezesseis anos em uma redoma, ou então, ela poderia acabar com isso como sempre disse desejar,mas ela não tinha coragem para fazê-lo. Então, bem, então eu o fiz.

Eu quase a assustei quando perguntei o que ela estava fazendo, ela enxugou as lágrimas e disse que não podia, que estava confusa, que desejava a morte, mas não queria morrer e deixar Tomas para trás, que não sabia como viver, que era jovem e não sabia fazer nada da vida, que queria a minha ajuda, que eu precisava ajudar ela, me abraçou com força e mais uma vez usou sua principal qualidade: a dissimulação, ela me beijou me agarrou com força disse que poderíamos viver os três como antes, que ela não precisava ter um filho, só precisávamos ser três, ela, Tomas e eu, que queria uma saída e que se eu falasse com nossos pais talvez eles me ouviriam, que aceitaria qualquer coisa que eu fizesse, qualquer coisa.

O que eu poderia fazer se não atender minha irmã amada? Eu precisava tirar a dor dela, a dor dele, não iria exitar, e para bem dizer a necessidade dela para comigo me excitava, eles precisavam de mim para ter uma saída, não poderiam ir sem mim, depois de tudo… Irônico, não? Je ressens de violentes pulsions j’ai l’impression de glisser vers le fond.

Pedi para ela se acalmar, ir buscar as roupas que pudessem, procurasse por jóias e dinheiro, que daríamos um jeito, eu disse falaria com Tomas, para ela não se preocupar, logo estaríamos juntos em um lugar que nossos pais não poderiam nos encontrar, ela acreditou, nunca duvidou de mim, largou a adaga de qualquer jeito sobre a cama e correu para o quarto, senti seus olhos azuis se ascenderem de esperança.

Tomas continuava a dormir, e eu tinha que acordá-lo, sentei encaixando minhas pernas na dele e comecei a despertá-lo com beijos em seu pescoço, não demorou muito para ele acordar, ele me perguntou o que estava acontecendo e eu apenas respondi que logo estaríamos a salvo, que logo Clarie voltaria, que ficaríamos bem, que seriamos nós três de novo e que nunca mais me deixariam para trás, Tomas ficava excitado e dizia que nunca me deixaria, tirei seu short e afastei minha calcinha para sentir seu pênis quente e latejante dentro de mim, cavalguei em cima dele como nunca tinha feito antes, afinal de contas, mal sabia ele, mas seria a ultima vez. Nossas respirações ficavam ofegantes e eu sentia o êxtase inebriar meu corpo, mas eu não tinha tempo a perder, beijei-o e sussurrei em seu ouvido que seria a sua Clarie naquele momento, como já o tinha feito algumas vezes antes, vi a adaga sentilar sobre a cama, inclinei meu corpo para pegar a adaga sem que ele saísse de dentro de mim, o que o deu mais prazer, o senti gozar dentro de mim e sorri, disse boa noite e fechei seus olhos, segurei sua boca com a mão, então peguei a adaga e cortei seu pescoço, ele arregalou os olhos, mas não gritou de pavor, assim era Tomas, atônito até seu ultimo instante. J’ai incendié mes romans assassiné mes princes charmants, j’ai effacé les empreintes et les regrets amers des amours blessés Je m’étais fait le serment de renoncer aux amants et puis un soir, il m’a touché sans égard son regard m’a brûlé la peau.

Arrastei seu corpo até o banheiro, troquei as cobertas e tomei uma ducha rápida o suficiente para me livrar do sangue de Tomas, Clarie entrou no quarto com duas malas gigantes, tinha preparado as malas para três, disse que confiava que tudo daria certo.

Eu disse a ela que tínhamos que comemorar, ela me perguntou onde estava Tomas e eu disse que ele tinha ido tentar roubar algum dinheiro de nossos pais, que não lhes faria falta, que deveríamos celebrar essa noite, que eu já tinha comemorado com Tomas, que era a vez dela, senti um certo ciúme em seu olhar, seguramente era mais egoísta que eu, mas precisava de mim.

Porem me amava em verdade, nosso líbido insaciável nos transformava em amantes perfeitas, empurrei-a na cama e abri suas pernas sentindo seu gosto incrivelmente gostoso, como eu sentiria falta disso, minha mão percorreu todo seu corpo e eu via o quanto ela gostava daquilo, duvido que Tomas pudesse proporcionar o mesmo prazer que eu a dava, ao menos eu nunca iria admitir isso, depois ela me possuiu com tanta urgência, como se, de fato, estivesse a seis meses esperando por isso, ela sussurrou que eu era o presente dela, era seu aniversário, o dela e do de Tomas, sempre juntos, até nisso, após algum tempo disso ela resolve parar e procurar Tomas, disse que ele estava demorando que estava preocupada, eu pedi para ela olhar no banheiro, ela não entendeu, mas fez o que eu pedi, ela o viu, e antes que gritasse tapei sua boca e beijei sua nuca com a mesma vontade que a primeira vez que o fiz, enquanto cortava sua garganta, ela não teve alguma resistência, seu sangue era quente, era doce, sussurrei que ela deveria estar feliz, era o momento dela, que ela iria poder curtir cada momento daquilo e depois dormir, dormir para despertar para o que ela sempre quis conhecer, a morte e seus encantos, ela não teria que se preocupar com nada, apenas dormir e viver em morte o que sempre sonhou. Dors mon ange dans l’éternelle candeur dors mon ange le ciel est ta demeure vole mon ange la vie est plus douce ailleurs.

Coloquei seus corpos um do lado do outro, a adaga cuidadosamente na mão de Clarie que parecia bem tranquila, quem sabe encontrou sua paz? Tomas tao pouco demonstrava dor ou tristeza, certamente a morte é bem mais bela que essa vida de merda, e mais uma vez eu estava sozinha, ou eu sempre fui sozinha? Não… Não, eles estão me esperando, eu sei! Eu serei apenas a ultima a sair, aquela que irá apagar a luz. Decrochez la lumiere.

Voltei para minha cama, dormi tranquilamente e fui sacudida por você papai anunciando a desgraça, não desconfiou em nenhum minuto? Vocês dois nunca nos compreenderam, nunca nos compreenderá, mas eu sei o que vocês devem estar pensando agora: que colocaram três loucos no mundo!Então, papai, quem era o mais insano de seus três filhos?

Não me importa essa resposta, logo estarei pendurada na árvore mais alta desse quintal pelo pescoço, não posso me demorar, deixei as duas pessoas mais importantes do mundo me esperando, tenho que fazer a experiencia do enforcamento para contar para a Claire e rir do Tomas sobre não existir nada depois da morte, eu os amo o suficiente para saber que nunca vamos nos separar. S’il faut mourir sur nos stèles, je veux graver, que nos rires ont berné la mort et le temps.

E de resto, nada é solidão.

On part sans savoir où meurent les souvenirs notre vie défile en l’espace d’un soupir.

Em memória de meus amados irmãos Clarie e Tomas,

é tempo de morrer para se poder amar em paz,

Pietra D’alembert.


NINGUÉM precisa saber o que você pensa, NINGUÉM precisa saber o que você sente. NINGUÉM precisa saber como é dentro de você.

Quando você menos espera o tempo já era! Então, vamos viver?

Sempre fui do tipo que fala as coisas mais amargas entre meus sorrisos mais doces.




Canetas, lápis  esquadros, violões, papel em branco, versos e composições, olhos e olhares, distantes, dispersos, incertos, inquietantes, tão meus, perdidos no vazio, na escuridão e imensidão, na exatidão do meu penar, olhar, tocar, sonhar, o que é meu?

O real, o substancial, o obstante, oh, a glória, a paz da alma, onde ela está?
Onde estão as idéias coordenadas, livres e soltas que formavam versos singelos, livres e belos? Onde está a paz? Me explica! Onde está dormir e sonhar?
Onde está o descanso, onde está, onde está? onde estou?

Quem sou eu, quem sou, o que fiz de mim, o que eu fiz?
O que fizemos de nós mesmos?
O que faço eu? O que faço? O que fazer?
E o papel, continua em branco.

E aos 23 anos, as vezes você acha que já sabe de tudo, quando está apenas começando a aprender.

O céu está cada vez mais negro, e eu, cada vez mais feliz.

Quero aproveitar de mim o máximo que eu puder; eu quero ser minha antes de ser de qualquer outra pessoa.

O amor é egoísta





E assim é o amor: tão egoísta como só ele pode ser. Não me leve a mal, não estou julgando esse sentimento, que de tão puro, desce rasgando como veneno pelas gargantas feridas. Feridas de palavras não ditas, de engasgos involuntários; de choros engolidos; de sentimentos contidos.

O amor, ah, o amor! Ele nos eleva! Porém, devemos entendê-lo como um multiplicador generalista, visto que ele não expande apenas seu lado bom, seus sentimentos sinceros, não, ele eleva tudo, a flor da pele! Mas, a culpa não é do amor, é do ser humano, que não sabe (e nem saberia, é de sua natureza) ser desapegado e benevolente com o que se sente, tudo quer pra si, tudo quer ter, e aí começam as dores, as lamentações, o sentimento de posse, o querer desesperado, o manter a qualquer custo, o sofrer ao abdicar, porque é tão dolorido abdicar algo tão precioso?

Se, o sentimento continua (ou deveria) ali, intacto, o que se vai é a pessoa, por novos caminhos, direções, os sentimentos deveriam ser estáticos, creio eu que o sejam. O amor é benévolo, mas, ele é forte demais para o coração humano, não estamos preparados para tantas emoções elevadas, o amor é bom, o coração humano é que não sabe se adequá-lo (em sua grande maioria) para vivenciá-lo.

E então caímos na desgraça de não compreendê-lo, confundimos amor com paixão, amor com sentimento de posse, amor com ódio, amor com amizade, amor com medo, amor com rancor, amor com ignorância, amor com super-proteção que gera o sufocamento, amor com solidão, e nada disso é culpa de nós, o amor foi nos dado por algum ser muito evoluído, simplesmente não estamos num grau de evolução alta o suficiente para apreende-lo em toda sua magnitude, e daí que nasce o desamor, o amargor de amar, que não deveríamos sentir, mas que muitas vezes temos que passar para entender o que realmente é amar, ou voltar a essa terra por mil séculos até aprender, saber lidar com um sentimento tão intransigente.

O amor é egoísta, pois, ele não respeita regras, não conhece limites, quebra paradigmas, por simplesmente ser.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Uma noite em Paris




Chego da rua meio cambaleante, um tanto quanto bêbada para falar a verdade. O hotel onde estou hospedada é um lixo, mas até as pulgas falam francês. Ora, o que mais eu poderia esperar? É minha primeira noite em Paris! Recosto a cabeça na parede e fecho os olhos, o mundo não para de girar e estou completamente atordoada. Não saberia dizer ao certo se é por causa do que bebi, ou do que cheirei, talvez seja do que não comi, mas não me sinto mal, apenas tonta. Minha alma partilha da escuridão, podridão e lascividade do lugar. Ouço gritos e gemidos de alguém, acho que algum casal está fazendo o que eu queria fazer nesse exato momento, deve ser no quarto ao lado. Seria muita ingenuidade minha achar que as paredes daquela espelunca seriam suficientemente grossas para inibir certos barulhos.
Meu cérebro volta a funcionar lentamente, ainda acho que devia parar com as drogas. Relembro tudo o que aprontei nessa primeira noite. Certamente muitas coisas que jamais faria no meu reino “Tão, Tão Distante”, lá onde sinto-me obrigada a ser princesa, lá onde não posso ser borralheira nem mesmo de brincadeira. Mas bem, aqui sou uma completa desconhecida, posso fazer o que quiser e com quem quiser. Serei toda de Paris e Paris será minha, uma troca mais do que justa. Comecei o dia viajando, horas e horas dentro daquele avião, não via a hora de estar na “Cidade Luz”. Já havia estado em Paris tantas vezes, em sonhos, em revistas, em sites de busca na internet, nos filmes... E depois de tanto tempo querendo estar aqui, ansiando por essas ruas e belos cafés, o que eu mais queria era ir a uma grande roda gigante, alguma que me possibilitasse uma vista panorâmica da cidade. Quero gravar essa cidade em minhas memórias de forma permanente e minha, uma memória tão minha que jamais pensem em escrever sobre ela, ou transformá-la em filme. Será algo entre Paris e eu. Porém hoje, bem... Hoje quis ir além, não queria agir como uma turista qualquer e embora eu queira, imensamente, visitar a Torre Eiffel, ir a um café chique e ler um livro enquanto tomo algo gostoso e que esquente meu corpo, hoje eu quis ser francesa. É isso mesmo, ser francesa. Esquecer tudo antes de hoje e me sentir uma com a cidade, uma com o povo, uma francesa da gema. E foi o que fiz. Flashes da noite bailam em minha memória, meus olhos ainda estão entorpecidos pelas substâncias que ingeri a noite toda. Mas não me arrependo, tenho até uma boina e um cachecol tipicamente franceses comigo, tudo para jamais me esquecer de que uma princesa também pode se divertir, sem medos, sem receios...
Ops! Só agora me dei conta de que estou sem um pé da minha bota... Olho ao redor e nada encontro. Procuro nos flashes da minha mente, por onde fui, com quem falei, se havia alguma forma de ter deixado a bota por um dos tantos lugares que fui hoje. De repente veio um flash mais vívido, mais nítido. Vejo olhos escuros, um sorriso lindo, encantador. Lábios de um vermelho torturante, pediam beijos. Cabelos longos e negros. Pele alva, e o português com sotaque francês mais lindo do universo... Bem, acho que amanhã terei que procurar minha bota.

Izis Vieira